Minha avó Alice não era apenas uma amante dos livros; a música também ocupava um espaço especial em sua vida.
Todos os finais de semana ela me pedia para colocar o CD do Frank Sinatra, com sua música favorita: “I’ve Got You Under My Skin”. Mas havia uma condição: tinha que ser a versão com Bono Vox. Para ela, a voz do Bono dava um toque único à música, tornando-a simplesmente perfeita. Minha avó, confortavelmente sentada na sua poltrona favorita na sala, fechava os olhos e acompanhava o ritmo com suaves batidas de mão no braço da poltrona. Era como se, naquele momento, tudo parasse, e apenas a música importasse. Era a nossa tradição, uma conversa sem palavras, mas repleta de sentimentos.
Devido à sua paixão pela música, ela sempre dizia que eu deveria aprender a tocar piano, que era seu instrumento predileto, mas eu, na teimosia da juventude, jamais segui seu conselho enquanto ela estava viva.
Após a partida da minha avó, resolvi começar a fazer aulas de piano. Era uma forma de me aproximar dela, mesmo não estando mais aqui. Os primeiros meses foram tranquilos, mas, certo dia, ao chegar para a aula, meu professor me deu a notícia: ele tinha feito minha inscrição para uma apresentação no Solar do Barão, um Museu Histórico e Cultural de Jundiaí/SP. Fiquei paralisada! Disse que não participaria, mas ele insistiu que eu iria, sim. Terminei aquela aula com o coração em descompasso, e ao sair, a timidez me venceu e fui diretamente cancelar a matrícula. O arrependimento ainda bate, mas, na época, não consegui lidar de outra forma com meu pavor de me expor.
Curiosamente, meu filho começou a tocar piano cerca de um ano atrás. É como se minha avó tivesse uma conexão especial com ele, instigando esse amor pelas teclas que eu não consegui cultivar. Ao contrário de mim, ele já se apresentou com confiança e nos enche de alegria com cada nova música que aprende. Embora ele ainda não toque a favorita da bisavó, sei que as composições que ele pratica seriam um presente para ela.
Agora, quase todos os dias, ele preenche nossa casa com melodias. Ver e ouvir ele tocar é um dos momentos mais especiais do nosso dia. Nessas ocasiões, é impossível não lembrar da minha avó e sentir como se ela estivesse ali, sorrindo ao assistir o que começou como seu desejo tornar-se nossa realidade cotidiana. Este é um dos momentos mais especiais e de pura conexão na nossa casa, sendo fonte imensa de paz e bem-estar para mim.
A música tem a capacidade de construir pontes entre gerações e sentimentos, provando que nossas histórias e emoções são contadas bem além das palavras. Quais momentos especiais na sua família se repetem e criam recordações duradouras? Convido você a deixar uma mensagem aqui sobre como a música ou outro ato de amor e memória desenham a trama da sua família.





2 Comentários
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[…] avó Alice tinha algo único. Entre suas muitas virtudes, duas se destacavam: sua paixão infinita pelos livros e sua habilidade de transformar histórias em lições práticas para a vida. O livro de cabeceira […]
[…] já mencionei em outras oportunidades, minha avó sempre incentivou a leitura, tanto para lazer, quanto para nos mantermos informados. […]