O DIA EM QUE ALICE UNIU CORAÇÕES

O Alice em Versos de hoje é especial, porque quero compartilhar um capítulo extraordinário da minha vida, que entrelaça amor, fé e a memória da minha avó Alice.

No último sábado, dia 15 de março de 2025, vivi um dia que ficará marcado para sempre não só no meu coração, mas também no de toda a minha família. Depois de 13 anos casados no civil e com o nosso amado filho Vítor, de 9 anos, eu e o André, meu grande amor e parceiro de vida, decidimos legitimar nosso matrimônio na Igreja. Essa decisão foi carregada de emoção e revelou-se ainda mais mágica do que eu poderia imaginar. Sentimos que era hora de celebrar nosso amor de maneira mais solene, aos olhos de Deus e cercados pela nossa família e amigos.

Agora, você pode se perguntar: o que tem a ver minha querida avó Alice com essa história? Absolutamente tudo! Nossa história de amor é entrelaçada por aqueles laços que minha avó, com seu amor incondicional, ajudou a tecer muito antes que eu sequer pudesse imaginar.

Minha história com o André tem raízes profundas, nutrida não só pelo amor que sentimos um pelo outro, mas também por laços familiares. Minha avó Alice tinha uma proximidade especial com a família do André, pois um dos seus sobrinhos era casado com a tia da minha sogra (Silvana). As visitas constantes entre essas famílias fizeram com que histórias se misturassem, criando um elo invisível que parecia já nos unir antes mesmo de nos conhecermos.

Quando eu tinha meus 12 ou 13 anos, minha avó, sempre adiantada para o seu tempo, costumava brincar que um dia eu deveria conhecer o “filho da Silvana”, que tinha mais ou menos a minha idade. Eu era curiosa, mas aquilo parecia um sonho distante. O destino, porém, sempre tem seus próprios planos. Foi no casamento do nosso primo em comum, Fábio, em 2001, quando eu tinha 19 anos, que nossas vidas se cruzaram. A família dele e a minha foram convidadas, e eu e o André fomos apresentados por nossos próprios pais. Nesse momento, minha avó já havia falecido há cinco anos, mas sinto que ela, mesmo de longe, utilizava aqueles que amava para nos unir. Desde então, eu e o André nunca mais nos desgrudamos – entre namoro e casamento já se vão 24 anos!

Com o tempo, nosso amor floresceu e decidimos casar no civil em 5 de agosto de 2011, um ano especialmente marcante em que também tivemos a oportunidade de viajar para Roma com meus pais. Durante a viagem, que ocorreu em março daquele ano, tivemos o privilégio de assistir a uma audiência com o Papa Bento XVI, no Vaticano.

Como sabíamos que iríamos participar dessa audiência, levamos nossas alianças, que foram lindamente abençoadas pelo Papa. Sob a grandiosidade da Basílica de São Pedro sentimos a nossa união ser confirmada aos olhos de Deus e, por isso, optamos por casar apenas no civil naquela época. Agora, quando decidimos casar na Igreja, escolhemos março em homenagem ao mês em que tudo isso aconteceu.

Os anos passaram e o Vítor chegou para iluminar nossas vidas. Com ele, veio também uma nova perspectiva. Foi ele, na realidade, quem nos motivou a buscar o sacramento do matrimônio na Igreja. Quando ele começou a catequese, nossa rotina se ajustou para incluir as missas dominicais. E a ideia de casar na Igreja passou a ressoar forte em nossos corações. Sentíamos que era a hora certa de dar esse passo, não para realizar um sonho antigo, mas para uma expressão genuína de fé e gratidão pelas bênçãos recebidas. Tenho certeza, no fundo do meu coração, que minha avó Alice também teve seu toque especial nessa decisão.

A ideia de casar no religioso floresceu como um chamado inevitável, não apenas para nós, mas como uma forma de envolver toda a família nesta comunhão. O dia do casamento foi um verdadeiro conto de fadas, não pelos adornos, mas pela profundidade do sacramento. Vestida de noiva, não por sonho, mas por amor, senti que cada passo era um hino de gratidão a todas as bênçãos recebidas.

A cerimônia foi abençoada. Eu, que nunca sonhei em me vestir de noiva, encontrei naquele momento uma verdade profunda. A homilia tocante do padre Marcos Adriano e a energia contagiante dos amigos e familiares criaram uma atmosfera de pura felicidade e emoção. Nunca imaginei viver um momento tão especial, no qual a fé e o amor se entrelaçassem de maneira tão profunda e verdadeira. Foi simplesmente mágico, como eu sei que minha avó teria desejado.

Durante a cerimônia, meu coração transbordou de orgulho pelo papel especial que o Vítor desempenhou. Ele não só foi a razão para que decidíssemos obter o sacramento do matrimônio, mas também brilhou durante a cerimônia: conduziu-me juntamente com André ao altar, leu magnificamente um trecho da Bíblia, entrou segurando as alianças e, ao final, nos guiou para fora da Igreja ao encontro de nossos pais e padrinhos que, emocionados, nos aplaudiram. A emoção nos rostos dos nossos familiares, dos convidados e até do padre Marcos era evidente, tornando tudo ainda mais especial.

Foi um verdadeiro privilégio ter nosso filho participando de maneira tão intensa e significativa na nossa cerimônia, mostrando que, de fato, o momento certo para casar na Igreja era agora. Para o Vítor, será especial poder contar para as futuras gerações que participou do casamento de seus próprios pais — um evento raro e especial, tal como um eclipse lunar.

E assim, sob a luz de um sábado abençoado, celebramos nosso amor perante Deus, nossa família e nossos amigos, completando o ciclo iniciado anos atrás pela sabedoria silenciosa da minha avó.

Esse relato é um tributo não apenas ao amor que construímos, mas à memória eterna da minha avó, que sempre fez parte da nossa história. Que essa edição do “Alice em Versos” seja não apenas uma homenagem a ela, mas que também sirva de inspiração, como um lembrete de que o amor e a fé são os guias mais poderosos em nossas vidas.

Lílian Gaspar

Advogada | Família e Sucessões

4 Comentários

  • That’s a fascinating point about risk assessment – it really applies to creative endeavors too! Seeing platforms like Sprunki Incredibox empower musical exploration is cool – low barrier to entry, high creative potential. It’s a smart approach!

  • Julia Hosoe

    Que relato lindo e comovente!
    Fiquei profundamente emocionada com sua história e, principalmente, com a forma como o amor e a sabedoria da sua avó Alice continuam a transcender, mesmo após sua partida.

    Quanto mais a conheço, mais certeza tenho de que Deus sempre coloca as pessoas certas em meu caminho—pessoas cheias de luz, amor e positividade.

    Minha gratidão à querida avó Alice por permitir que nossos caminhos se cruzassem também.

    • Julia, também me emocionei com a sua mensagem. Muito obrigada pelo carinho!
      Que possamos estreitar nossos laços, pois compartilho da mesma sensação que a sua.

  • Julia Hosoe

    Que relato lindo e comovente!
    Fiquei profundamente emocionada com sua história e, principalmente, com a forma como o amor e a sabedoria da sua avó Alice continuam a transcender, mesmo após sua partida.
    Quanto mais a conheço, mais certeza tenho de que Deus sempre coloca as pessoas certas em meu caminho—pessoas cheias de luz, amor e positividade.
    Minha gratidão à querida avó Alice por permitir que nossos caminhos se cruzassem também.

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Olá! Eu sou a Lílian

Bacharel em Direito pela Faculdade de Direito da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, turma de 2005; especialista em Direito Processual Civil pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, 2009; mestra em Direito Processual Civil pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, 2014; advogada, sócia do escritório Henrique & Gaspar Sociedade de Advogados.

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