A Sexta-feira Santa é um dia especial no calendário cristão. É o dia em que se recorda a crucificação e morte de Jesus: um momento de grande dor, mas também de esperança, amor e entrega. Em várias famílias, esse dia tem costumes próprios: alguns não comem carne vermelha, outros participam de missas. Lá em casa, por influência da minha avó, a tradição era ainda mais marcante.
Minha avó sempre fazia questão de explicar que, na Sexta-feira Santa, não era dia de fazer barulho. Então, nada de ouvir música, nada de televisão ligada. O dia era dedicado ao recolhimento – além, é claro, ao preparo de um delicioso bacalhau, símbolo dessa data em muitos lares.
Quando criança, confesso que achava essa tradição um pouco difícil de entender. O costume de silenciar aparelhos e não ter distrações no fundo fazia a casa ganhar outro tom – mais calma, mais voltada para o convívio entre nós. Ela dizia: “Hoje é dia de reflexão”. Era nesse clima silencioso que pegávamos livros e nos reuníamos em família para momentos de conversa e para relembrar histórias do passado.
Como você sabe, minha avó sempre gostou de bordar — passava horas escolhendo linhas, compondo flores, inventando desenhos em sua máquina de costura. Hoje, quando lembro desses momentos de Sexta-feira Santa, penso que ela costurava memórias também: cada ponto, uma história contada na mesa, uma lembrança, uma tradição para durar gerações. Era tudo muito natural, sem grandes discursos – simplesmente vivíamos juntos aqueles momentos.
Hoje, olhando para a realidade das famílias, vejo como esse exemplo ficou ainda mais relevante. Vivemos em um mundo digital que ocupa cada vez mais espaço em nossa rotina. As telas estão presentes o tempo todo: na palma das mãos, nas conversas, nas refeições e até nos poucos momentos de descanso. Ao mesmo tempo em que a tecnologia aproxima quem está longe, também afasta quem está perto. É comum ver famílias reunidas fisicamente, mas cada um isolado no próprio celular – os pais no WhatsApp, os filhos no TikTok ou em jogos online. O contato verdadeiro, o olho no olho, vai ficando cada vez mais raro.
Esse distanciamento causado pelo digital prejudica tanto a convivência familiar quanto a saúde mental. O excesso de tempo on-line pode aumentar a sensação de solidão, ansiedade e diminuir o interesse pelo diálogo, pelo compartilhamento de momentos simples e verdadeiros. Recursos que deveriam servir para juntar, aos poucos vão criando muros invisíveis dentro de casa.
Por isso tudo, acredito que a Sexta-feira Santa pode ser uma ótima oportunidade para repensar nossos hábitos. Inspirados pelo exemplo da minha avó, que já promovia o recolhimento e a reflexão mesmo antes dessa avalanche de tecnologia, podemos aproveitar este dia para um convite especial: deixar os celulares, tablets e TVs de lado e viver momentos reais em família. Que tal propor um dia de desconexão digital, de silêncio e contato verdadeiro? Uma ocasião para conversar, ler, cuidar um do outro, trabalhar juntos em alguma atividade manual ou até aprender algo novo.
Valorizar esse tempo de qualidade pode ser um respiro necessário nos dias de hoje – um tempo para nutrir laços, resgatar histórias e criar memórias que nenhuma tela pode preservar.
Esse é o convite: inspire-se nesse momento de pausa para reconectar com quem você ama. Afinal, o sentido maior da data está em refletir, cuidar da espiritualidade e fortalecer a família.
Você já passou uma Sexta-feira Santa totalmente desconectado? Compartilhe sua experiência sobre essa data nos comentários!




