Quando penso sobre o Dia dos Namorados, é inevitável lembrar dos conselhos da minha avó Alice, sempre tão à frente do seu tempo. Ela me ensinou, ainda na adolescência, que um namoro precisa ser construído com respeito, admiração, parceria e incentivo mútuo. Destacava que a valorização do outro era fundamental e que o namoro só faz sentido quando ambos se ajudam a crescer, se respeitam em sua individualidade e celebram juntos suas conquistas e superações. Gostava dos detalhes: sugeria até prestar atenção aos traços de caráter, à postura diante dos desafios e à disposição para apoiar sonhos. Entre tantas recomendações, ela ainda sugeria, com bom humor, que o namorado fosse mais alto do que eu.
Acredito, inclusive, que já contei em outra oportunidade como tenho certeza de que minha avó, mesmo depois de partir, teve um papel decisivo ao unir as histórias minha e do André. O elo entre nossas famílias sempre foi muito forte, permeado por pequenas coincidências que, hoje vejo, parecem ter sido cuidadosamente costuradas por ela. E foi assim, em 2001, no casamento do nosso primo Fábio, que nos conhecemos — um encontro que transformaria o curso das nossas vidas e, desde então, já são 24 anos juntos, entre namoro e casamento.
Com o tempo, construímos uma relação sólida, baseada justamente nesses valores que minha avó tanto defendia. Parceria, respeito, incentivo e carinho nunca podem faltar. No casamento civil, na bênção das nossas alianças pelo Papa Bento XVI, no nascimento do nosso filho Vítor e na recente decisão de oficializar nossa união também na Igreja, sempre percebi que o afeto verdadeiro se sustenta quando está amparado por cuidado e responsabilidade. E não é que, no fim das contas, o André, além de parceiro em tudo, é sim alguns centímetros mais alto do que eu?
É por essa razão — e também pelo olhar profissional de advogada de Família — que faço questão de trazer à tona um tema de extrema importância, embora pouco romântico à primeira vista: o contrato de namoro. Sei que muita gente torce o nariz para essa ideia, imaginando que ela retira a leveza do relacionamento. Mas vale a pena refletir: se proteger o que amamos é um ato de cuidado, por que não reservar esse mesmo zelo à relação que estamos construindo?
O contrato de namoro é um instrumento preventivo, uma forma inteligente de evitar confusões futuras e preservar não só questões patrimoniais, como também o que é mais valioso: o sentimento. Ele permite que os parceiros deixem claro que a intenção é namorar, não constituir uma união estável. Pode, ainda, definir ajustes sobre despesas, bens em comum, animais de estimação, presentes e até questões de confidencialidade. Muito além da formalidade, representa respeito mútuo, segurança e transparência.
Mesmo entrelaçando aspectos afetivos e jurídicos, a mensagem é uma só: construir um relacionamento saudável passa, também, por conversar sobre limites, expectativas e proteção. Quem planeja o futuro com maturidade cuida do presente com mais liberdade — e evita surpresas desagradáveis no caminho.
Neste Dia dos Namorados, desejo que você celebre o amor, mas que também pense em como protegê-lo. Amar é, também, cuidar do cenário em que esse sentimento cresce.
Gostaria de saber mais sobre o contrato de namoro? Deixe suas dúvidas ou opiniões nos comentários. Proteger o afeto é uma forma de valorizar ainda mais a história que você está construindo.
Feliz Dia dos Namorados!




