O Dia dos Avós está chegando, e, para mim, essa data é sempre muito especial. Desde que o projeto Alice em Versos começou, minha avó Alice tem sido presença constante nas histórias e reflexões que compartilho aqui. Hoje, quero abrir um novo capítulo e falar sobre outra mulher incrível que também marcou profundamente a minha vida: minha avó Divina. Se minha avó Alice me ensinou sobre livros, poesia e o valor das palavras, minha avó Divina me mostrou a simplicidade da terra, a importância dos pequenos gestos e o poder do silêncio e da oração.
Minhas duas avós vieram de mundos diferentes, mas tinham em comum uma força indescritível, que cuidava, apoiava e unia a família. Minha avó Alice, que vivia comigo, tinha um gênio forte e uma presença cheia de opiniões – das quais, confesso, às vezes discordávamos, como qualquer relação próxima e intensa. Já minha avó Divina era mais tranquila, uma pacificadora, e muitas vezes vinha conversar comigo para que eu pedisse desculpas à minha avó Alice após algum desentendimento. Ela dizia que respeitar e ouvir os mais velhos era uma forma de demonstrar carinho, e que as diferenças nunca eram maiores do que o amor que nos unia. Era difícil não aceitar seus conselhos, pois sua bondade estava em cada palavra.
Se minha avó Alice amava os livros, minha avó Divina tinha uma paixão pela terra. No quintal da sua casa na Rua Fernando Arens, em meio ao centro urbano de Jundiaí/SP, ela criou um pequeno paraíso verde. Lá havia mangueira, bananeira, pessegueiro, várias outras plantas, além de galinhas e coelhos. Para mim, para o meu irmão e para os meus primos, aquele quintal era um mundo mágico. Corríamos atrás dos pintinhos e até fazíamos competições de corrida entre eles. No meio de tudo isso, havia até um moedor manual de cana, onde ela preparava garapa fresquinha para a família – o tipo de simplicidade que deixava tudo mais doce e acolhedor. Claro, nem tudo naquele quintal era tão mágico assim: os almoços de domingo muitas vezes incluíam as galinhas e os coelhos que ela criava. Eu nunca quis comer o coelho, mas acho que comi vários, convencida, pelos adultos, de que era frango.
Minha avó Divina tinha um coração puro e era muito religiosa. Sua casa era repleta de símbolos de fé: a Bíblia na cabeceira da cama e imagens espalhadas por vários cantos. Assim como falei do livro de cabeceira da minha avó Alice, que refletia sua paixão pela leitura, é impossível não lembrar que, para a minha avó Divina, a Bíblia era sua fonte de força e sabedoria. Ali ela encontrava as palavras que guiavam sua generosidade, sua paciência e seu cuidado incondicional com todos à sua volta. E, ao contrário do que acontecia com minha avó Alice, com quem eu às vezes discutia, nunca tivemos sequer uma briga. Talvez porque, como não morávamos juntas, nossos momentos eram menos frequentes, mas sempre intensos e cheios de carinho. Apesar das personalidades tão distintas, o que me encanta ao recordar as duas é perceber que ambas transmitiam amor e cuidado à sua maneira.
Minha avó Divina se doou inteiramente para a criação dos filhos, dos netos e para o bem-estar do meu avô Augusto, de quem também guardo lindas memórias. Ela era do tipo de pessoa que estava sempre lá, pronta para ajudar, servir e dar suporte. Até hoje, quando penso nela e nas lições que aprendi em seu quintal ou nas suas conversas, vejo o quanto sua presença foi essencial, ainda que menos evidente nas minhas histórias até agora.
Hoje, no Alice em Versos, quero fazer essa união de mundos. Minha avó Alice e minha avó Divina ensinaram muito, de formas diferentes, mas complementares. Minha avó Alice me ensinou a valorizar os desafios da mente e a busca contínua pelo conhecimento. Minha avó Divina me mostrou os ciclos da vida, o cuidado com as raízes e o acolhimento nos gestos mais simples. Juntas, elas são partes vivas de quem eu sou e de tudo o que compartilho por aqui.
Neste Dia dos Avós, quero homenagear essas duas mulheres tão incríveis e tão importantes na minha vida. E convidar você a lembrar dos seus avós, daqueles pequenos gestos que podem ter parecido simples na época, mas que hoje brilham como memórias indispensáveis.
Gostou de conhecer mais sobre elas? Me conta nos comentários uma memória especial com os seus avós.




