Lílian Gaspar https://liliangaspar.com.br/ Familia em Foco Thu, 16 Oct 2025 13:35:02 +0000 pt-PT hourly 1 https://liliangaspar.com.br/wp-content/uploads/2024/09/cropped-lg-32x32.png Lílian Gaspar https://liliangaspar.com.br/ 32 32 BENDITA FAMÍLIA: NÃO SERIA POSSÍVEL SEM VOCÊS https://liliangaspar.com.br/2025/10/16/bendita-familia-gratidao/ https://liliangaspar.com.br/2025/10/16/bendita-familia-gratidao/#respond Thu, 16 Oct 2025 13:35:00 +0000 https://liliangaspar.com.br/?p=2056 A vida tem uma forma curiosa de nos ensinar que poucos caminhos são trilhados individualmente. Por mais que tenhamos determinação, coragem e boas ideias, é no apoio e na troca com outras pessoas que encontramos a força necessária para transformar um sonho em realidade. Por isso, hoje quero fazer uma pausa, olhar para trás, e agradecer a cada pessoa que faz parte dessa jornada chamada “Bendita Família“. Minha história com este projeto começa, antes de tudo, em casa, com a minha família. Foi o meu pai, Cícero Henrique, quem deu nome ao podcast. Esse gesto resume a grandeza de quem ele é na minha vida: alguém que me inspira e me orienta. Ele que me ensinou sobre o poder da palavra, sobre como comunicar de forma clara, verdadeira e, sobretudo, com o coração. Desde pequena, ao vê-lo falar no rádio, aprendi que a comunicação não é só uma ferramenta, mas também uma ponte que conecta pessoas e transforma vidas Ao meu marido, André Gaspar, dedico um agradecimento cheio de amor. Sua parceria em todos os momentos – dos mais simples aos mais desafiadores – é meu porto seguro. É ele quem me traz calma na incerteza e quem me lembra, sempre, da minha capacidade. Ao nosso filho, Vítor Henrique Gaspar, que é minha maior alegria e a principal razão pela qual acredito tanto neste projeto, deixo meu mais profundo agradecimento. É por ele e por tantas crianças que eu acredito que criar um espaço para discutirmos e fortalecermos os laços familiares é tão essencial. Vítor é o motivo pelo qual Bendita Família existe, como um sonho de construção de um futuro melhor para a sua geração. Minha mãe, Sidney Henrique, com sua sensibilidade e disponibilidade, é a razão de eu conseguir conciliar tantas coisas. Seu apoio no dia a dia, sempre carregado de generosidade, me dá a estrutura que preciso. Ao meu irmão e sócio, Márcio Henrique, agradeço por acreditar nessa ideia tanto quanto eu. Sua confiança no projeto foi essencial para que eu pudesse seguir em frente. E, claro, não poderia deixar de mencionar minha avó Alice, que, mesmo não estando mais neste plano, segue me inspirando com sua coragem e sua força. A história dela ecoa em tudo o que faço até hoje. Depois da minha família, quero destacar o trio de pessoas que chamo carinhosamente de meus “3 Cs”: Caio Sakamoto, Cecília Lima e Cyro Mello. A vida tem o dom de nos apresentar as pessoas certas no momento exato e com eles foi exatamente assim. Começo pelo Caio, porque foi ele quem criou a conexão inicial e abriu portas fundamentais para que este projeto saísse do papel. Nossas reuniões semanais de sexta-feira foram verdadeiras aulas de aprendizado e estratégia, que deram um rumo claro ao que ainda era apenas um rascunho de sonho. Foi também o Caio quem me conectou à Cecília e essa foi uma das maiores alegrias dessa jornada. Cecília foi muito mais do que uma professora ou mentora: foi alguém que iluminou o caminho para que este projeto tomasse forma. Através dos seus cursos de comunicação e marca pessoal, pude não só entender a importância de me comunicar com leveza e autenticidade, mas também desenvolver o autoconhecimento necessário para encontrar minha própria voz. Suas lições foram transformadoras e sua presença acolhedora em cada fase deste processo deixou tudo ainda mais especial. Ao Cyro, meu muito obrigada pelo incentivo e por traduzir a essência do projeto para o marketing, ajudando a transformar meu propósito em uma comunicação clara e acessível. Aos meus “3 Cs”, meu agradecimento é profundo. Nada disso seria possível sem vocês. Por trás de todo grande projeto, existem aqueles que sustentam as nossas bases. É por isso que deixo também meu agradecimento ao time do Henrique & Gaspar Sociedade de Advogados, que esteve comigo nos bastidores, me dando suporte e segurando as pontas. Um agradecimento especial à Júlia Saretta, que entrou recentemente para a equipe de marketing e, com sua energia e estímulo, me ajudou a vencer desafios e transformar receios em ação. Na caminhada de tirar o “Bendita Família” do papel, contei também com outras pessoas que confiaram nas minhas ideias e me ajudaram a lapidá-las. Dentre essas pessoas, quero destacar duas amigas muito queridas: Ana Paula Kuntz, que com sua sensibilidade e profissionalismo me ajuda a transformar ideias em roteiros, permitindo que cada palavra comunique exatamente o que eu quero transmitir, e Aline Tartarin, cujo incentivo constante me faz continuar firme mesmo nos momentos mais desafiadores. O apoio de vocês me impulsionou mais do que vocês imaginam. O “Bendita Família” não é apenas um podcast para mim. É um propósito. É o reflexo daquilo que acredito, vivo, estudo e compartilho. E, sobretudo, é a prova concreta de como é bonito sonhar junto, construir junto e alcançar junto. A todas essas pessoas incríveis que citei e a você, que embarcou comigo nesse projeto ao assistir, ouvir e compartilhar cada parte dessa construção, meu mais sincero agradecimento. Vamos seguir juntos nesta jornada, porque família é, e sempre será, a base de tudo. Com carinho,Lílian Gaspar

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A vida tem uma forma curiosa de nos ensinar que poucos caminhos são trilhados individualmente. Por mais que tenhamos determinação, coragem e boas ideias, é no apoio e na troca com outras pessoas que encontramos a força necessária para transformar um sonho em realidade. Por isso, hoje quero fazer uma pausa, olhar para trás, e agradecer a cada pessoa que faz parte dessa jornada chamada “Bendita Família“.

Minha história com este projeto começa, antes de tudo, em casa, com a minha família. Foi o meu pai, Cícero Henrique, quem deu nome ao podcast. Esse gesto resume a grandeza de quem ele é na minha vida: alguém que me inspira e me orienta. Ele que me ensinou sobre o poder da palavra, sobre como comunicar de forma clara, verdadeira e, sobretudo, com o coração. Desde pequena, ao vê-lo falar no rádio, aprendi que a comunicação não é só uma ferramenta, mas também uma ponte que conecta pessoas e transforma vidas

Ao meu marido, André Gaspar, dedico um agradecimento cheio de amor. Sua parceria em todos os momentos – dos mais simples aos mais desafiadores – é meu porto seguro. É ele quem me traz calma na incerteza e quem me lembra, sempre, da minha capacidade. Ao nosso filho, Vítor Henrique Gaspar, que é minha maior alegria e a principal razão pela qual acredito tanto neste projeto, deixo meu mais profundo agradecimento. É por ele e por tantas crianças que eu acredito que criar um espaço para discutirmos e fortalecermos os laços familiares é tão essencial. Vítor é o motivo pelo qual Bendita Família existe, como um sonho de construção de um futuro melhor para a sua geração.

Minha mãe, Sidney Henrique, com sua sensibilidade e disponibilidade, é a razão de eu conseguir conciliar tantas coisas. Seu apoio no dia a dia, sempre carregado de generosidade, me dá a estrutura que preciso. Ao meu irmão e sócio, Márcio Henrique, agradeço por acreditar nessa ideia tanto quanto eu. Sua confiança no projeto foi essencial para que eu pudesse seguir em frente. E, claro, não poderia deixar de mencionar minha avó Alice, que, mesmo não estando mais neste plano, segue me inspirando com sua coragem e sua força. A história dela ecoa em tudo o que faço até hoje.

Depois da minha família, quero destacar o trio de pessoas que chamo carinhosamente de meus “3 Cs”: Caio Sakamoto, Cecília Lima e Cyro Mello. A vida tem o dom de nos apresentar as pessoas certas no momento exato e com eles foi exatamente assim.

Começo pelo Caio, porque foi ele quem criou a conexão inicial e abriu portas fundamentais para que este projeto saísse do papel. Nossas reuniões semanais de sexta-feira foram verdadeiras aulas de aprendizado e estratégia, que deram um rumo claro ao que ainda era apenas um rascunho de sonho.

Foi também o Caio quem me conectou à Cecília e essa foi uma das maiores alegrias dessa jornada. Cecília foi muito mais do que uma professora ou mentora: foi alguém que iluminou o caminho para que este projeto tomasse forma. Através dos seus cursos de comunicação e marca pessoal, pude não só entender a importância de me comunicar com leveza e autenticidade, mas também desenvolver o autoconhecimento necessário para encontrar minha própria voz. Suas lições foram transformadoras e sua presença acolhedora em cada fase deste processo deixou tudo ainda mais especial.

Ao Cyro, meu muito obrigada pelo incentivo e por traduzir a essência do projeto para o marketing, ajudando a transformar meu propósito em uma comunicação clara e acessível. Aos meus “3 Cs”, meu agradecimento é profundo. Nada disso seria possível sem vocês.

Por trás de todo grande projeto, existem aqueles que sustentam as nossas bases. É por isso que deixo também meu agradecimento ao time do Henrique & Gaspar Sociedade de Advogados, que esteve comigo nos bastidores, me dando suporte e segurando as pontas. Um agradecimento especial à Júlia Saretta, que entrou recentemente para a equipe de marketing e, com sua energia e estímulo, me ajudou a vencer desafios e transformar receios em ação.

Na caminhada de tirar o “Bendita Família” do papel, contei também com outras pessoas que confiaram nas minhas ideias e me ajudaram a lapidá-las. Dentre essas pessoas, quero destacar duas amigas muito queridas: Ana Paula Kuntz, que com sua sensibilidade e profissionalismo me ajuda a transformar ideias em roteiros, permitindo que cada palavra comunique exatamente o que eu quero transmitir, e Aline Tartarin, cujo incentivo constante me faz continuar firme mesmo nos momentos mais desafiadores. O apoio de vocês me impulsionou mais do que vocês imaginam.

O “Bendita Família” não é apenas um podcast para mim. É um propósito. É o reflexo daquilo que acredito, vivo, estudo e compartilho. E, sobretudo, é a prova concreta de como é bonito sonhar junto, construir junto e alcançar junto.

A todas essas pessoas incríveis que citei e a você, que embarcou comigo nesse projeto ao assistir, ouvir e compartilhar cada parte dessa construção, meu mais sincero agradecimento. Vamos seguir juntos nesta jornada, porque família é, e sempre será, a base de tudo.

Com carinho,
Lílian Gaspar

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A HISTÓRIA DO ÚLTIMO ADEUS À MINHA AVÓ ALICE https://liliangaspar.com.br/2025/09/24/o-adeus-a-minha-avo-alice-uma-historia-de-amor-cuidado-e-respeito-as-suas-ultimas-vontades/ https://liliangaspar.com.br/2025/09/24/o-adeus-a-minha-avo-alice-uma-historia-de-amor-cuidado-e-respeito-as-suas-ultimas-vontades/#comments Wed, 24 Sep 2025 06:00:00 +0000 https://liliangaspar.com.br/?p=2052 Setembro é um mês marcante para mim. Este ano, no último dia 04, meu projeto Alice em Versos completou 1 ano de existência. Ele nasceu para compartilhar as histórias da minha família, especialmente as que envolvem minha avó Alice, como forma de mantê-la viva em nossas memórias. Agora, no dia 25, setembro se torna ainda mais marcante: completam-se 29 anos desde que ela partiu. Esta é uma data de lembranças fortes, cheia de emoções, e hoje vou contar como foram aqueles últimos dias ao lado dela, lá em setembro de 1996. Naquele ano, setembro começou com festas. Celebramos, no dia 16, o aniversário de 19 anos do meu irmão, e minha avó Alice, como sempre, estava presente, cheia de sorrisos e amor. Poucos dias depois, no entanto, ela começou a apresentar sintomas de gripe. No início, parecia algo leve, mas o tempo foi passando e a tosse se agravou. Meus pais insistiam para que ela fosse ao pronto socorro, mas minha avó sempre foi avessa a hospitais. No domingo, 22 de setembro, a situação piorou consideravelmente. Sua tosse era tão intensa que eu quase não consegui dormir no quarto ao lado. Na segunda-feira de manhã, mesmo assim, seguimos com nossa rotina. Antes de ir para a escola, fiz o que sempre fazia: dei um beijo de despedida. Nesse momento, ela segurou meu rosto com suas mãos, sempre tão carinhosa, e disse: “É uma delícia receber seu beijo todas as manhãs; é isso que me faz feliz.” Minha avó tinha essa capacidade única de transformar os gestos mais simples em momentos cheios de amor. E, embora ela fosse sempre carinhosa e amorosa, naquele dia sua atitude e suas palavras me marcaram de uma forma diferente. No caminho para a escola, fiquei reflexiva e lembro que pedi a Deus que a curasse logo. Quando voltei para casa depois da escola, estranhei sua ausência. Foi quando meus pais explicaram que, após muita insistência, minha mãe conseguiu levá-la ao pronto-socorro. Lá, os médicos diagnosticaram pneumonia e decidiram interná-la. Fiquei preocupada, mas otimista, porque acreditava que aquilo era apenas uma etapa para que ela ficasse bem. Na terça-feira, meu pai e meu irmão foram visitá-la no hospital e trouxeram notícias animadoras: ela estava melhorando. Os médicos inclusive disseram que ela provavelmente receberia alta no dia seguinte, quarta-feira. Quando soube disso, fiquei profundamente aliviada. Naquela noite, dormi tranquila, já ansiosa para vê-la em casa novamente. Acordei, na quarta-feira, radiante. Eu tinha motivos para isso: durante o dia, iria a um passeio com a escola assistir a uma peça de teatro em São Paulo, e, à noite, tinha certeza de que encontraria minha avó em casa. Antes de sair para o passeio, pedi às minhas tias-avós, Dada e Cema, que estavam em casa porque iriam visitá-la no hospital, que dessem um beijo por mim e  que dissessem que eu estava ansiosa para reencontrá-la à noite. Passei o dia empolgada. Contei para as minhas amigas, cheia de alegria, que minha avó receberia alta naquele dia e que estávamos todos aliviados e felizes com a sua recuperação. Mas a volta daquele passeio trouxe uma realidade que eu não esperava, nem estava preparada para enfrentar. Quando saí do ônibus escolar, quem veio me buscar não foram os meus pais, mas meu irmão e minha prima. Estranhei imediatamente e meu coração começou a se apertar. Durante o trajeto para casa, eles me deram a notícia: minha avó, ao invés de receber alta, havia falecido. Naquele momento, meu mundo desabou. Todo o alívio e a felicidade que senti ao longo do dia se transformaram em uma dor esmagadora. Para piorar, senti uma enorme culpa. Como eu pude estar tão feliz naquele dia enquanto ela partia? Chegando em casa, me deparei com um cenário de despedida: vizinhos, parentes e amigos estavam todos lá, mas tudo parecia distante para mim. O velório aconteceu naquela mesma noite. Até então, eu não tinha derramado nenhuma lágrima. Mas, assim que vi minha avó no caixão, com o rosto sereno e em paz, a dor foi inevitável e as lágrimas surgiram. Era difícil processar que aquela seria a última vez que a veria. Com apenas 14 anos, aquele adeus parecia um peso impossível de carregar. No dia seguinte, seguimos para o Crematório da Vila Alpina para cumprir a última vontade dela: ser cremada. Minha avó sempre foi extremamente prática e organizada e deixou tudo registrado em uma carta. Era uma espécie de “diretiva antecipada de vontade”, mostrando como ela se preocupava em nos poupar das decisões mais difíceis. Na carta havia instruções precisas sobre como gostaria que tudo acontecesse: a roupa para o velório, as pessoas que deveriam ser avisadas e até o pedido para não haver missa de sétimo dia e ser cremada. Respeitamos todos os seus desejos. Na última despedida, enquanto “Ave Maria” de Schubert e o “Noturno” de Chopin tocavam, eu, meu pai, minha mãe e meu irmão, olhamos para seu caixão pela última vez. Foi um momento de profunda dor, mas também de reverência por tudo o que ela representou para nós. Dias depois, fomos buscar suas cinzas, que foram colocadas junto ao túmulo de sua mãe, a minha bisavó Albertina, como ela havia pedido. Os dias seguintes não foram fáceis. A casa parecia vazia e solitária. Eu, que ficava sozinha muitas vezes por longos períodos enquanto minha mãe lecionava, meu pai também trabalhava e meu irmão estudava, sentia falta da presença reconfortante da minha avó. Mas, aos poucos, encontrei força nas memórias boas que guardava dela. Anos mais tarde, essas memórias se transformaram no projeto Alice em Versos. Foi assim que eu consegui manter minha avó viva, compartilhando suas histórias, reflexões e amor com o mundo. E, neste mês de setembro, celebramos 1 ano desse projeto que significa tanto para mim e para a minha família. Agora, Alice em Versos seguirá um novo caminho, mais próximo do que ela amava fazer. Minha avó era apaixonada por colecionar frases de livros, reflexões e pensamentos. Isso a ajudava a refletir sobre a vida e

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Setembro é um mês marcante para mim. Este ano, no último dia 04, meu projeto Alice em Versos completou 1 ano de existência. Ele nasceu para compartilhar as histórias da minha família, especialmente as que envolvem minha avó Alice, como forma de mantê-la viva em nossas memórias. Agora, no dia 25, setembro se torna ainda mais marcante: completam-se 29 anos desde que ela partiu. Esta é uma data de lembranças fortes, cheia de emoções, e hoje vou contar como foram aqueles últimos dias ao lado dela, lá em setembro de 1996.

Naquele ano, setembro começou com festas. Celebramos, no dia 16, o aniversário de 19 anos do meu irmão, e minha avó Alice, como sempre, estava presente, cheia de sorrisos e amor. Poucos dias depois, no entanto, ela começou a apresentar sintomas de gripe. No início, parecia algo leve, mas o tempo foi passando e a tosse se agravou. Meus pais insistiam para que ela fosse ao pronto socorro, mas minha avó sempre foi avessa a hospitais.

No domingo, 22 de setembro, a situação piorou consideravelmente. Sua tosse era tão intensa que eu quase não consegui dormir no quarto ao lado. Na segunda-feira de manhã, mesmo assim, seguimos com nossa rotina. Antes de ir para a escola, fiz o que sempre fazia: dei um beijo de despedida. Nesse momento, ela segurou meu rosto com suas mãos, sempre tão carinhosa, e disse: “É uma delícia receber seu beijo todas as manhãs; é isso que me faz feliz.”

Minha avó tinha essa capacidade única de transformar os gestos mais simples em momentos cheios de amor. E, embora ela fosse sempre carinhosa e amorosa, naquele dia sua atitude e suas palavras me marcaram de uma forma diferente. No caminho para a escola, fiquei reflexiva e lembro que pedi a Deus que a curasse logo.

Quando voltei para casa depois da escola, estranhei sua ausência. Foi quando meus pais explicaram que, após muita insistência, minha mãe conseguiu levá-la ao pronto-socorro. Lá, os médicos diagnosticaram pneumonia e decidiram interná-la. Fiquei preocupada, mas otimista, porque acreditava que aquilo era apenas uma etapa para que ela ficasse bem.

Na terça-feira, meu pai e meu irmão foram visitá-la no hospital e trouxeram notícias animadoras: ela estava melhorando. Os médicos inclusive disseram que ela provavelmente receberia alta no dia seguinte, quarta-feira. Quando soube disso, fiquei profundamente aliviada. Naquela noite, dormi tranquila, já ansiosa para vê-la em casa novamente.

Acordei, na quarta-feira, radiante. Eu tinha motivos para isso: durante o dia, iria a um passeio com a escola assistir a uma peça de teatro em São Paulo, e, à noite, tinha certeza de que encontraria minha avó em casa. Antes de sair para o passeio, pedi às minhas tias-avós, Dada e Cema, que estavam em casa porque iriam visitá-la no hospital, que dessem um beijo por mim e  que dissessem que eu estava ansiosa para reencontrá-la à noite.

Passei o dia empolgada. Contei para as minhas amigas, cheia de alegria, que minha avó receberia alta naquele dia e que estávamos todos aliviados e felizes com a sua recuperação. Mas a volta daquele passeio trouxe uma realidade que eu não esperava, nem estava preparada para enfrentar.

Quando saí do ônibus escolar, quem veio me buscar não foram os meus pais, mas meu irmão e minha prima. Estranhei imediatamente e meu coração começou a se apertar. Durante o trajeto para casa, eles me deram a notícia: minha avó, ao invés de receber alta, havia falecido.

Naquele momento, meu mundo desabou. Todo o alívio e a felicidade que senti ao longo do dia se transformaram em uma dor esmagadora. Para piorar, senti uma enorme culpa. Como eu pude estar tão feliz naquele dia enquanto ela partia?

Chegando em casa, me deparei com um cenário de despedida: vizinhos, parentes e amigos estavam todos lá, mas tudo parecia distante para mim.

O velório aconteceu naquela mesma noite. Até então, eu não tinha derramado nenhuma lágrima. Mas, assim que vi minha avó no caixão, com o rosto sereno e em paz, a dor foi inevitável e as lágrimas surgiram. Era difícil processar que aquela seria a última vez que a veria. Com apenas 14 anos, aquele adeus parecia um peso impossível de carregar.

No dia seguinte, seguimos para o Crematório da Vila Alpina para cumprir a última vontade dela: ser cremada. Minha avó sempre foi extremamente prática e organizada e deixou tudo registrado em uma carta. Era uma espécie de “diretiva antecipada de vontade”, mostrando como ela se preocupava em nos poupar das decisões mais difíceis. Na carta havia instruções precisas sobre como gostaria que tudo acontecesse: a roupa para o velório, as pessoas que deveriam ser avisadas e até o pedido para não haver missa de sétimo dia e ser cremada. Respeitamos todos os seus desejos.

Na última despedida, enquanto “Ave Maria” de Schubert e o “Noturno” de Chopin tocavam, eu, meu pai, minha mãe e meu irmão, olhamos para seu caixão pela última vez. Foi um momento de profunda dor, mas também de reverência por tudo o que ela representou para nós. Dias depois, fomos buscar suas cinzas, que foram colocadas junto ao túmulo de sua mãe, a minha bisavó Albertina, como ela havia pedido.

Os dias seguintes não foram fáceis. A casa parecia vazia e solitária. Eu, que ficava sozinha muitas vezes por longos períodos enquanto minha mãe lecionava, meu pai também trabalhava e meu irmão estudava, sentia falta da presença reconfortante da minha avó. Mas, aos poucos, encontrei força nas memórias boas que guardava dela.

Anos mais tarde, essas memórias se transformaram no projeto Alice em Versos. Foi assim que eu consegui manter minha avó viva, compartilhando suas histórias, reflexões e amor com o mundo. E, neste mês de setembro, celebramos 1 ano desse projeto que significa tanto para mim e para a minha família.

Agora, Alice em Versos seguirá um novo caminho, mais próximo do que ela amava fazer. Minha avó era apaixonada por colecionar frases de livros, reflexões e pensamentos. Isso a ajudava a refletir sobre a vida e sobre o mundo. Por isso, o projeto continuará com reflexões semanais, um jeito de honrar essa parte tão especial da sua essência. E, claro, sempre que eu lembrar de uma história, voltarei a contá-la.

Além disso, iniciarei outro projeto muito especial, algo que com toda certeza deixará minha avó igualmente orgulhosa. Voltarei em breve para contar mais sobre isso, mas, por agora, quero encerrar este texto compartilhando uma lembrança que guardo com muito carinho.

Na carta que escreveu antes de partir, minha avó deixou um recado especial para mim e para meu irmão: “Li e Márcio, valeu a pena ter vivido para poder amar vocês!” Essas palavras vivem comigo até hoje, assim como o amor que ela me deixou.

Hoje, ao olhar para tudo o que construí e para tudo o que ainda está por vir, sinto que o amor dela permanece vivo em cada escolha que faço, em cada texto que escrevo e em cada memória que compartilho. Minha avó Alice continua sendo meu guia, minha inspiração e prova de que o amor verdadeiro jamais se apaga.

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DUAS MULHERES, DOIS MUNDOS, UM MESMO CARINHO: UMA HOMENAGEM ESPECIAL PARA O DIA DOS AVÓS https://liliangaspar.com.br/2025/07/23/duas-mulheres-dois-mundos-um-mesmo-carinho-uma-homenagem-especial-para-o-dia-dos-avos/ https://liliangaspar.com.br/2025/07/23/duas-mulheres-dois-mundos-um-mesmo-carinho-uma-homenagem-especial-para-o-dia-dos-avos/#respond Wed, 23 Jul 2025 17:00:44 +0000 https://liliangaspar.com.br/?p=2034 O Dia dos Avós está chegando, e, para mim, essa data é sempre muito especial. Desde que o projeto Alice em Versos começou, minha avó Alice tem sido presença constante nas histórias e reflexões que compartilho aqui. Hoje, quero abrir um novo capítulo e falar sobre outra mulher incrível que também marcou profundamente a minha vida: minha avó Divina. Se minha avó Alice me ensinou sobre livros, poesia e o valor das palavras, minha avó Divina me mostrou a simplicidade da terra, a importância dos pequenos gestos e o poder do silêncio e da oração. Minhas duas avós vieram de mundos diferentes, mas tinham em comum uma força indescritível, que cuidava, apoiava e unia a família. Minha avó Alice, que vivia comigo, tinha um gênio forte e uma presença cheia de opiniões – das quais, confesso, às vezes discordávamos, como qualquer relação próxima e intensa. Já minha avó Divina era mais tranquila, uma pacificadora, e muitas vezes vinha conversar comigo para que eu pedisse desculpas à minha avó Alice após algum desentendimento. Ela dizia que respeitar e ouvir os mais velhos era uma forma de demonstrar carinho, e que as diferenças nunca eram maiores do que o amor que nos unia. Era difícil não aceitar seus conselhos, pois sua bondade estava em cada palavra. Se minha avó Alice amava os livros, minha avó Divina tinha uma paixão pela terra. No quintal da sua casa na Rua Fernando Arens, em meio ao centro urbano de Jundiaí/SP, ela criou um pequeno paraíso verde. Lá havia mangueira, bananeira, pessegueiro, várias outras plantas, além de galinhas e coelhos. Para mim, para o meu irmão e para os meus primos, aquele quintal era um mundo mágico. Corríamos atrás dos pintinhos e até fazíamos competições de corrida entre eles. No meio de tudo isso, havia até um moedor manual de cana, onde ela preparava garapa fresquinha para a família – o tipo de simplicidade que deixava tudo mais doce e acolhedor. Claro, nem tudo naquele quintal era tão mágico assim: os almoços de domingo muitas vezes incluíam as galinhas e os coelhos que ela criava. Eu nunca quis comer o coelho, mas acho que comi vários, convencida, pelos adultos, de que era frango.  Minha avó Divina tinha um coração puro e era muito religiosa. Sua casa era repleta de símbolos de fé: a Bíblia na cabeceira da cama e imagens espalhadas por vários cantos. Assim como falei do livro de cabeceira da minha avó Alice, que refletia sua paixão pela leitura, é impossível não lembrar que, para a minha avó Divina, a Bíblia era sua fonte de força e sabedoria. Ali ela encontrava as palavras que guiavam sua generosidade, sua paciência e seu cuidado incondicional com todos à sua volta. E, ao contrário do que acontecia com minha avó Alice, com quem eu às vezes discutia, nunca tivemos sequer uma briga. Talvez porque, como não morávamos juntas, nossos momentos eram menos frequentes, mas sempre intensos e cheios de carinho. Apesar das personalidades tão distintas, o que me encanta ao recordar as duas é perceber que ambas transmitiam amor e cuidado à sua maneira. Minha avó Divina se doou inteiramente para a criação dos filhos, dos netos e para o bem-estar do meu avô Augusto, de quem também guardo lindas memórias. Ela era do tipo de pessoa que estava sempre lá, pronta para ajudar, servir e dar suporte. Até hoje, quando penso nela e nas lições que aprendi em seu quintal ou nas suas conversas, vejo o quanto sua presença foi essencial, ainda que menos evidente nas minhas histórias até agora. Hoje, no Alice em Versos, quero fazer essa união de mundos. Minha avó Alice e minha avó Divina ensinaram muito, de formas diferentes, mas complementares. Minha avó Alice me ensinou a valorizar os desafios da mente e a busca contínua pelo conhecimento. Minha avó Divina me mostrou os ciclos da vida, o cuidado com as raízes e o acolhimento nos gestos mais simples. Juntas, elas são partes vivas de quem eu sou e de tudo o que compartilho por aqui. Neste Dia dos Avós, quero homenagear essas duas mulheres tão incríveis e tão importantes na minha vida. E convidar você a lembrar dos seus avós, daqueles pequenos gestos que podem ter parecido simples na época, mas que hoje brilham como memórias indispensáveis. Gostou de conhecer mais sobre elas? Me conta nos comentários uma memória especial com os seus avós.

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O Dia dos Avós está chegando, e, para mim, essa data é sempre muito especial. Desde que o projeto Alice em Versos começou, minha avó Alice tem sido presença constante nas histórias e reflexões que compartilho aqui. Hoje, quero abrir um novo capítulo e falar sobre outra mulher incrível que também marcou profundamente a minha vida: minha avó Divina. Se minha avó Alice me ensinou sobre livros, poesia e o valor das palavras, minha avó Divina me mostrou a simplicidade da terra, a importância dos pequenos gestos e o poder do silêncio e da oração.

Minhas duas avós vieram de mundos diferentes, mas tinham em comum uma força indescritível, que cuidava, apoiava e unia a família. Minha avó Alice, que vivia comigo, tinha um gênio forte e uma presença cheia de opiniões – das quais, confesso, às vezes discordávamos, como qualquer relação próxima e intensa. Já minha avó Divina era mais tranquila, uma pacificadora, e muitas vezes vinha conversar comigo para que eu pedisse desculpas à minha avó Alice após algum desentendimento. Ela dizia que respeitar e ouvir os mais velhos era uma forma de demonstrar carinho, e que as diferenças nunca eram maiores do que o amor que nos unia. Era difícil não aceitar seus conselhos, pois sua bondade estava em cada palavra.

Se minha avó Alice amava os livros, minha avó Divina tinha uma paixão pela terra. No quintal da sua casa na Rua Fernando Arens, em meio ao centro urbano de Jundiaí/SP, ela criou um pequeno paraíso verde. Lá havia mangueira, bananeira, pessegueiro, várias outras plantas, além de galinhas e coelhos. Para mim, para o meu irmão e para os meus primos, aquele quintal era um mundo mágico. Corríamos atrás dos pintinhos e até fazíamos competições de corrida entre eles. No meio de tudo isso, havia até um moedor manual de cana, onde ela preparava garapa fresquinha para a família – o tipo de simplicidade que deixava tudo mais doce e acolhedor. Claro, nem tudo naquele quintal era tão mágico assim: os almoços de domingo muitas vezes incluíam as galinhas e os coelhos que ela criava. Eu nunca quis comer o coelho, mas acho que comi vários, convencida, pelos adultos, de que era frango. 

Minha avó Divina tinha um coração puro e era muito religiosa. Sua casa era repleta de símbolos de fé: a Bíblia na cabeceira da cama e imagens espalhadas por vários cantos. Assim como falei do livro de cabeceira da minha avó Alice, que refletia sua paixão pela leitura, é impossível não lembrar que, para a minha avó Divina, a Bíblia era sua fonte de força e sabedoria. Ali ela encontrava as palavras que guiavam sua generosidade, sua paciência e seu cuidado incondicional com todos à sua volta. E, ao contrário do que acontecia com minha avó Alice, com quem eu às vezes discutia, nunca tivemos sequer uma briga. Talvez porque, como não morávamos juntas, nossos momentos eram menos frequentes, mas sempre intensos e cheios de carinho. Apesar das personalidades tão distintas, o que me encanta ao recordar as duas é perceber que ambas transmitiam amor e cuidado à sua maneira.

Minha avó Divina se doou inteiramente para a criação dos filhos, dos netos e para o bem-estar do meu avô Augusto, de quem também guardo lindas memórias. Ela era do tipo de pessoa que estava sempre lá, pronta para ajudar, servir e dar suporte. Até hoje, quando penso nela e nas lições que aprendi em seu quintal ou nas suas conversas, vejo o quanto sua presença foi essencial, ainda que menos evidente nas minhas histórias até agora.

Hoje, no Alice em Versos, quero fazer essa união de mundos. Minha avó Alice e minha avó Divina ensinaram muito, de formas diferentes, mas complementares. Minha avó Alice me ensinou a valorizar os desafios da mente e a busca contínua pelo conhecimento. Minha avó Divina me mostrou os ciclos da vida, o cuidado com as raízes e o acolhimento nos gestos mais simples. Juntas, elas são partes vivas de quem eu sou e de tudo o que compartilho por aqui.

Neste Dia dos Avós, quero homenagear essas duas mulheres tão incríveis e tão importantes na minha vida. E convidar você a lembrar dos seus avós, daqueles pequenos gestos que podem ter parecido simples na época, mas que hoje brilham como memórias indispensáveis.

Gostou de conhecer mais sobre elas? Me conta nos comentários uma memória especial com os seus avós.

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NA CURVA DO RIO E DE NOSSAS VIDAS https://liliangaspar.com.br/2025/07/09/na-curva-do-rio-e-de-nossas-vidas/ https://liliangaspar.com.br/2025/07/09/na-curva-do-rio-e-de-nossas-vidas/#comments Wed, 09 Jul 2025 15:57:11 +0000 https://liliangaspar.com.br/?p=2025 Minha avó Alice tinha algo único. Entre suas muitas virtudes, duas se destacavam: sua paixão infinita pelos livros e sua habilidade de transformar histórias em lições práticas para a vida. O livro de cabeceira dela – seu favorito, lido e relido tantas vezes – era Enterrem Meu Coração na Curva do Rio, de Dee Brown. Entre os muitos livros que atravessaram as lentes dos seus óculos, nenhum teve mais impacto em sua vida – e na nossa – do que Enterrem Meu Coração na Curva do Rio. Não era apenas sua obra favorita. Era quase um companheiro de vida. Sempre ao lado da cama, com páginas marcadas, aquele livro era o seu guia. Ela consultava suas palavras como quem busca orientação em tempos incertos, como se as histórias ali guardadas fossem reflexos das nossas próprias vidas. Para minha avó, a relação com o livro ia além da simples leitura. Ela dizia que aquele livro representava não apenas um relato da luta dos povos indígenas por seus territórios, mas também uma metáfora das batalhas e laços que mantemos dentro da nossa própria “tribo” familiar. Inspirada pela força dos índios mencionados no livro, ela nos batizou com nomes que criaram uma espécie de “tribo” dentro da nossa casa. Eu era o Asa Branca. Meu irmão, o Touro Sentado. Meu pai, o Pássaro Saltador. Minha mãe, a Nuvem Vermelha. E ela… Ela era a Chaleira Preta. Esses nomes capturavam espíritos, valores e características que ela identificava em cada um de nós. Mas, mais do que isso, nos conectavam a algo maior: essa ideia de que a vida é como o curso de um rio. Repleta de curvas, turbulências, calmarias, mas que, com cuidado, pode fluir em harmonia e preservar o que realmente importa. E assim, a cada página que ela revisava, cada história que ela contava, ela nos ensinava valores sobre cuidados, vínculos e como proteger aquilo que mais importa, seja no seio da nossa família ou no caminho que percorremos. O livro que nos ensinava sobre resistência e laços Enterrem Meu Coração na Curva do Rio, de Dee Brown, é uma narrativa dolorosa e marcante. O livro conta a história dos povos indígenas nos Estados Unidos do século XIX, que enfrentaram a destruição de suas terras, culturas e modos de vida diante do avanço colonial. É um relato de resistência – um lembrete de que, mesmo em meio à força devastadora de algo imensamente maior, há quem lute para preservar sua história, seus vínculos e sua identidade. Embora seja uma obra sobre tragédias e injustiças históricas, para a minha avó o livro era também um símbolo de união e fortaleza. Assim como aquelas tribos lutavam para proteger seus territórios e tradições, nós também temos nossas próprias “tribos” a cuidar: nossas famílias, nossos laços e tudo aquilo que amamos e construímos. O livro tornou-se para ela um símbolo profundo de como as famílias precisam proteger seus bens mais preciosos – e isso vai muito além de patrimônio material. Ela dizia que assim como aquelas tribos indígenas que enfrentavam forças externas, uma família precisa se unir para superar desafios, preservar suas memórias e cuidar do futuro. E foi aí que os ensinamentos dela se conectaram com algo maior. Planejar a vida, tanto no afeto quanto no patrimônio, virou para mim uma responsabilidade que abracei com maturidade. A lição da minha avó: a tribo começa com planejamento Minha avó enxergava a família como um território simbólico, um espaço que precisávamos preservar com zelo e responsabilidade. E isso exigia não só cuidado no presente, mas também planejamento para o futuro. Afinal, nossas relações, memórias e patrimônio – materiais ou não – são tudo o que carregamos juntos ao longo dos anos. No fundo, ela sabia que o planejamento era a chave para proteger a harmonia da família diante das curvas inesperadas do rio da vida. E hoje, quando penso no Direito de Família e Sucessões, vejo como esse ensinamento dela faz tanto sentido. Planejar nosso futuro não é um luxo ou uma formalidade. É um ato de amor e cuidado. O planejamento sucessório, por exemplo, vai além da proteção de bens materiais. Ele é uma forma de honrar o passado, organizar o presente e proteger o futuro. Assim como as tribos indígenas lutavam para preservar suas terras, planejar a divisão de bens e testar nossas intenções é uma forma de garantir que nossa própria “tribo” permaneça unida mesmo quando enfrentarmos desafios. A falta de planejamento, por outro lado, pode ser como ignorar os sinais de que um rio está prestes a transbordar. Os conflitos surgem, os sentimentos se desgastam, e, no fim, o que deveria ser um momento de união pode acabar fragmentando o que levou anos para ser construído. Chaleira Preta e Asa Branca Minha avó sempre foi a ligação entre tudo e todos. O nome Chaleira Preta não foi escolhido ao acaso. Ela representava acolhimento e capacidade de encontrar soluções e fortalecer os laços que nos sustentavam. Mesmo nos momentos de maior turbulência, ela era o elo que mantinha nossa família unida. E eu? Asa Branca. O nome veio de uma simples referência em uma foto do livro, mas carregava muito significado. Ela dizia que eu era livre como um pássaro, com espírito aventureiro e coragem para buscar novos horizontes, mas com um coração que jamais se esquecia de voltar para casa. Na verdade, me enxergar como Asa Branca era também uma forma de ela me incentivar a sempre voar alto, mas nunca perder minhas raízes. Esses nomes não eram apenas apelidos. Eram manifestações simbólicas daquilo que sustentava nossa família: a ideia de que cada um tinha um papel único a desempenhar dentro da nossa “tribo”. E, para que tudo funcionasse, cuidar – dos laços, das histórias e até do patrimônio – era uma obrigação de todos. Conclusão Quando penso em minha avó Alice, em suas lições e no legado dela, tudo se conecta de forma muito coerente. Ela fez de Enterrem Meu Coração na Curva do Rio mais do que uma história

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Minha avó Alice tinha algo único. Entre suas muitas virtudes, duas se destacavam: sua paixão infinita pelos livros e sua habilidade de transformar histórias em lições práticas para a vida. O livro de cabeceira dela – seu favorito, lido e relido tantas vezes – era Enterrem Meu Coração na Curva do Rio, de Dee Brown. Entre os muitos livros que atravessaram as lentes dos seus óculos, nenhum teve mais impacto em sua vida – e na nossa – do que Enterrem Meu Coração na Curva do Rio. Não era apenas sua obra favorita. Era quase um companheiro de vida. Sempre ao lado da cama, com páginas marcadas, aquele livro era o seu guia. Ela consultava suas palavras como quem busca orientação em tempos incertos, como se as histórias ali guardadas fossem reflexos das nossas próprias vidas.

Para minha avó, a relação com o livro ia além da simples leitura. Ela dizia que aquele livro representava não apenas um relato da luta dos povos indígenas por seus territórios, mas também uma metáfora das batalhas e laços que mantemos dentro da nossa própria “tribo” familiar.

Inspirada pela força dos índios mencionados no livro, ela nos batizou com nomes que criaram uma espécie de “tribo” dentro da nossa casa. Eu era o Asa Branca. Meu irmão, o Touro Sentado. Meu pai, o Pássaro Saltador. Minha mãe, a Nuvem Vermelha. E ela… Ela era a Chaleira Preta.

Esses nomes capturavam espíritos, valores e características que ela identificava em cada um de nós. Mas, mais do que isso, nos conectavam a algo maior: essa ideia de que a vida é como o curso de um rio. Repleta de curvas, turbulências, calmarias, mas que, com cuidado, pode fluir em harmonia e preservar o que realmente importa.

E assim, a cada página que ela revisava, cada história que ela contava, ela nos ensinava valores sobre cuidados, vínculos e como proteger aquilo que mais importa, seja no seio da nossa família ou no caminho que percorremos.

O livro que nos ensinava sobre resistência e laços

Enterrem Meu Coração na Curva do Rio, de Dee Brown, é uma narrativa dolorosa e marcante. O livro conta a história dos povos indígenas nos Estados Unidos do século XIX, que enfrentaram a destruição de suas terras, culturas e modos de vida diante do avanço colonial. É um relato de resistência – um lembrete de que, mesmo em meio à força devastadora de algo imensamente maior, há quem lute para preservar sua história, seus vínculos e sua identidade.

Embora seja uma obra sobre tragédias e injustiças históricas, para a minha avó o livro era também um símbolo de união e fortaleza. Assim como aquelas tribos lutavam para proteger seus territórios e tradições, nós também temos nossas próprias “tribos” a cuidar: nossas famílias, nossos laços e tudo aquilo que amamos e construímos. O livro tornou-se para ela um símbolo profundo de como as famílias precisam proteger seus bens mais preciosos – e isso vai muito além de patrimônio material.

Ela dizia que assim como aquelas tribos indígenas que enfrentavam forças externas, uma família precisa se unir para superar desafios, preservar suas memórias e cuidar do futuro.

E foi aí que os ensinamentos dela se conectaram com algo maior. Planejar a vida, tanto no afeto quanto no patrimônio, virou para mim uma responsabilidade que abracei com maturidade.

A lição da minha avó: a tribo começa com planejamento

Minha avó enxergava a família como um território simbólico, um espaço que precisávamos preservar com zelo e responsabilidade. E isso exigia não só cuidado no presente, mas também planejamento para o futuro. Afinal, nossas relações, memórias e patrimônio – materiais ou não – são tudo o que carregamos juntos ao longo dos anos.

No fundo, ela sabia que o planejamento era a chave para proteger a harmonia da família diante das curvas inesperadas do rio da vida. E hoje, quando penso no Direito de Família e Sucessões, vejo como esse ensinamento dela faz tanto sentido. Planejar nosso futuro não é um luxo ou uma formalidade. É um ato de amor e cuidado.

O planejamento sucessório, por exemplo, vai além da proteção de bens materiais. Ele é uma forma de honrar o passado, organizar o presente e proteger o futuro. Assim como as tribos indígenas lutavam para preservar suas terras, planejar a divisão de bens e testar nossas intenções é uma forma de garantir que nossa própria “tribo” permaneça unida mesmo quando enfrentarmos desafios.

A falta de planejamento, por outro lado, pode ser como ignorar os sinais de que um rio está prestes a transbordar. Os conflitos surgem, os sentimentos se desgastam, e, no fim, o que deveria ser um momento de união pode acabar fragmentando o que levou anos para ser construído.

Chaleira Preta e Asa Branca

Minha avó sempre foi a ligação entre tudo e todos. O nome Chaleira Preta não foi escolhido ao acaso. Ela representava acolhimento e capacidade de encontrar soluções e fortalecer os laços que nos sustentavam. Mesmo nos momentos de maior turbulência, ela era o elo que mantinha nossa família unida.

E eu? Asa Branca. O nome veio de uma simples referência em uma foto do livro, mas carregava muito significado. Ela dizia que eu era livre como um pássaro, com espírito aventureiro e coragem para buscar novos horizontes, mas com um coração que jamais se esquecia de voltar para casa. Na verdade, me enxergar como Asa Branca era também uma forma de ela me incentivar a sempre voar alto, mas nunca perder minhas raízes.

Esses nomes não eram apenas apelidos. Eram manifestações simbólicas daquilo que sustentava nossa família: a ideia de que cada um tinha um papel único a desempenhar dentro da nossa “tribo”. E, para que tudo funcionasse, cuidar – dos laços, das histórias e até do patrimônio – era uma obrigação de todos.

Conclusão

Quando penso em minha avó Alice, em suas lições e no legado dela, tudo se conecta de forma muito coerente. Ela fez de Enterrem Meu Coração na Curva do Rio mais do que uma história de resistência – transformou-o em um manual para cuidar da vida.

Como Asa Branca, levo comigo o aprendizado de que voar para longe é importante, mas voltar para cuidar da “curva do rio” da minha família é essencial. E como Chaleira Preta, ela será para sempre a força que aquece e sustenta nossas escolhas.

O que você tem feito para cuidar da sua própria tribo? Planejar não é sobre controle, mas sobre garantir que os rios da sua vida sigam tranquilos. E isso começa agora, com pequenos passos que garantam que o amor e o cuidado sejam sempre maiores do que as tempestades.

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O BORDADO DA VIDA: O QUE MINHA AVÓ ME ENSINOU SOBRE A IMPORTÂNCIA DE CUIDAR DOS REALCIONAMENTOS, DO PATRIMÔNIO E DO FUTURO https://liliangaspar.com.br/2025/06/25/o-bordado-da-vida-o-que-minha-avo-me-ensinou-sobre-a-importancia-de-cuidar-dos-realcionamentos-do-patrimonio-e-do-futuro/ https://liliangaspar.com.br/2025/06/25/o-bordado-da-vida-o-que-minha-avo-me-ensinou-sobre-a-importancia-de-cuidar-dos-realcionamentos-do-patrimonio-e-do-futuro/#respond Wed, 25 Jun 2025 18:34:06 +0000 https://liliangaspar.com.br/?p=2021 Minha avó sempre dizia que cuidar da vida era como bordar: cada ponto precisava de atenção e paciência. Para uma mulher que foi mãe solo, leitora voraz, bordadeira talentosa e dona de uma sabedoria que transbordava dos gestos simples, essa reflexão resumia o cuidado que devemos ter com tudo o que construímos. Não só nas costuras coloridas que saíam de suas mãos habilidosas, mas nos laços que criamos, nas escolhas que fazemos e nas situações que antecipamos. Como atuo na área de planejamento familiar, patrimonial e sucessório, penso constantemente sobre como esses cuidados que minha avó tanto valorizava se aplicam à vida prática. No Família em Foco de ontem, promovi um encontro com empresários para refletirmos sobre algo essencial: como regimes de casamento, divórcios ou falecimentos podem impactar a saúde das empresas e das famílias. Mesmo sendo um tema delicado, percebemos que ignorar esses aspectos importantes pode comprometer o futuro de relações e patrimônios que foram construídos com esforço e dedicação. Nesse texto, quero compartilhar como os ensinamentos da minha avó sobre cuidado e planejamento se conectam com esses desafios que enfrentamos nos negócios e nas famílias. Assim como em seu bordado, os momentos de calma e atenção fazem toda a diferença para que os laços – pessoais ou empresariais – se mantenham fortes e duradouros. O bordado dos relacionamentos e dos negócios Quando minha avó bordava, ela tinha um ritual quase sagrado: sentava na sua cadeira, organizava suas linhas, escolhia as melhores cores e só então começava. Para ela, fazer algo bonito e duradouro era impossível sem calma e dedicação. Essa lógica se aplica perfeitamente aos relacionamentos e aos negócios. Muitas vezes, relações amorosas ou societárias começam no entusiasmo, na vontade de crescer juntos, mas com o tempo surgem desafios. Um desentendimento numa reunião, mudanças de prioridades ou acontecimentos inesperados, como uma separação ou o falecimento de um sócio, podem desestruturar tudo. Sem planejamento, essas situações são como fios frouxos em um bordado: o desgaste vem devagar, mas a falta de cuidado pode causar um rompimento difícil – ou até impossível – de consertar. Minha avó costumava alertar que, se um ponto está frouxo agora, cedo ou tarde ele vai desmontar todo o trabalho. Pense na história típica de um casal que começa um relacionamento acreditando que o amor basta para tudo. Eles decidem abrir um negócio juntos sem considerar a importância de formalizar o casamento e definir um regime de bens. Depois de alguns anos, se encontram em meio a uma separação. Sem planejamento prévio sobre a participação de cada um no patrimônio, a dissolução pode não apenas desgastar o vínculo emocional, mas também comprometer o futuro da empresa. E quando isso acontece, o impacto não afeta só os dois, mas também os funcionários, suas famílias e os próprios clientes e fornecedores. Agora, imagine outro cenário em que esse mesmo casal, antes de abrir o negócio, discute sobre suas ideias e intenções e ainda formaliza um contrato que define claramente a participação de cada um no empreendimento. Se o relacionamento chega ao fim, o planejamento realizado permite que ambos sigam suas vidas com mais equidade, ao mesmo tempo em que a empresa permanece saudável e funcional. Quando falta planejamento, os laços desgastam Minha avó sabia que nem a linha mais resistente resiste por muito tempo se for mal passada. Essa metáfora reflete o risco de quem abre mão do planejamento, seja no amor, na família ou nos negócios. Ignorar esses detalhes pode parecer confortável no presente, mas quando os problemas surgem, as consequências são graves. Muitas pessoas acham que conversar sobre planejamento – como discutir questões patrimoniais – é desconfortável ou até um sinal de desconfiança. Na verdade, ele é o contrário disso: é uma demonstração de que você valoriza tanto a relação que deseja protegê-la. Planejar demonstra cuidado e respeito pelos laços construídos. É uma forma de proteger o que foi construído com carinho, para que um momento de dificuldade não coloque tudo a perder. Pense, por exemplo, em um sócio que não se preocupa em organizar sua sucessão. Sem um planejamento claro, seus herdeiros podem enfrentar disputas do patrimônio, que levam anos no Judiciário, afetando não só a estabilidade da empresa, mas também as relações familiares. Da mesma forma, casais que optam por ignorar escolhas importantes, como o regime de casamento, frequentemente acabam enfrentando conflitos desgastantes no futuro, seja em divórcios ou em partilhas de bens. Minha avó acreditava que o melhor momento para cuidar dos detalhes era agora, enquanto ainda dava tempo de fazer as escolhas certas. De fato, antecipar problemas e resolvê-los antes que causem danos é uma forma eficaz de preservar tanto vínculos quanto patrimônio. Tecendo o futuro com equilíbrio e cuidado Se tem algo que minha avó me ensinou é que o cuidado exige paciência, atenção e, acima de tudo, intenção. Tudo o que ela fazia – desde seus bordados meticulosos até as decisões que tomava na vida – era feito com um pensamento voltado ao futuro. E ela sabia que, quanto mais cuidado se coloca nos pequenos detalhes, mais bonito e forte é o resultado final. Quando trazemos essa sabedoria para nossas decisões, percebemos o impacto que um planejamento consciente pode ter nas famílias e nos negócios. Escolher o regime de casamento adequado, definir cláusulas patrimoniais claras e pensar no impacto das nossas ações é como cuidar de um tecido precioso. Cada escolha que fazemos se soma às outras, criando uma trama que sustenta nossas histórias e protege nossos sonhos. Conclusão O legado da minha avó vai muito além das linhas que ela bordava ou das histórias que contava. Sua visão de mundo, ancorada em cuidado, paciência e atenção aos detalhes, me guia até hoje, tanto na vida pessoal quanto profissional. Assim como ela fazia questão de cuidar de cada ponto na linha do bordado, cabe a nós garantir que nossas escolhas sejam feitas com carinho e responsabilidade. Planejar é um ato de amor – consigo mesmo, com quem você ama e com o que você construiu. Sua vida, sua

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Minha avó sempre dizia que cuidar da vida era como bordar: cada ponto precisava de atenção e paciência. Para uma mulher que foi mãe solo, leitora voraz, bordadeira talentosa e dona de uma sabedoria que transbordava dos gestos simples, essa reflexão resumia o cuidado que devemos ter com tudo o que construímos. Não só nas costuras coloridas que saíam de suas mãos habilidosas, mas nos laços que criamos, nas escolhas que fazemos e nas situações que antecipamos.

Como atuo na área de planejamento familiar, patrimonial e sucessório, penso constantemente sobre como esses cuidados que minha avó tanto valorizava se aplicam à vida prática. No Família em Foco de ontem, promovi um encontro com empresários para refletirmos sobre algo essencial: como regimes de casamento, divórcios ou falecimentos podem impactar a saúde das empresas e das famílias. Mesmo sendo um tema delicado, percebemos que ignorar esses aspectos importantes pode comprometer o futuro de relações e patrimônios que foram construídos com esforço e dedicação.

Nesse texto, quero compartilhar como os ensinamentos da minha avó sobre cuidado e planejamento se conectam com esses desafios que enfrentamos nos negócios e nas famílias. Assim como em seu bordado, os momentos de calma e atenção fazem toda a diferença para que os laços – pessoais ou empresariais – se mantenham fortes e duradouros.

O bordado dos relacionamentos e dos negócios

Quando minha avó bordava, ela tinha um ritual quase sagrado: sentava na sua cadeira, organizava suas linhas, escolhia as melhores cores e só então começava. Para ela, fazer algo bonito e duradouro era impossível sem calma e dedicação.

Essa lógica se aplica perfeitamente aos relacionamentos e aos negócios. Muitas vezes, relações amorosas ou societárias começam no entusiasmo, na vontade de crescer juntos, mas com o tempo surgem desafios. Um desentendimento numa reunião, mudanças de prioridades ou acontecimentos inesperados, como uma separação ou o falecimento de um sócio, podem desestruturar tudo. Sem planejamento, essas situações são como fios frouxos em um bordado: o desgaste vem devagar, mas a falta de cuidado pode causar um rompimento difícil – ou até impossível – de consertar.

Minha avó costumava alertar que, se um ponto está frouxo agora, cedo ou tarde ele vai desmontar todo o trabalho.

Pense na história típica de um casal que começa um relacionamento acreditando que o amor basta para tudo. Eles decidem abrir um negócio juntos sem considerar a importância de formalizar o casamento e definir um regime de bens. Depois de alguns anos, se encontram em meio a uma separação. Sem planejamento prévio sobre a participação de cada um no patrimônio, a dissolução pode não apenas desgastar o vínculo emocional, mas também comprometer o futuro da empresa. E quando isso acontece, o impacto não afeta só os dois, mas também os funcionários, suas famílias e os próprios clientes e fornecedores.

Agora, imagine outro cenário em que esse mesmo casal, antes de abrir o negócio, discute sobre suas ideias e intenções e ainda formaliza um contrato que define claramente a participação de cada um no empreendimento. Se o relacionamento chega ao fim, o planejamento realizado permite que ambos sigam suas vidas com mais equidade, ao mesmo tempo em que a empresa permanece saudável e funcional.

Quando falta planejamento, os laços desgastam

Minha avó sabia que nem a linha mais resistente resiste por muito tempo se for mal passada. Essa metáfora reflete o risco de quem abre mão do planejamento, seja no amor, na família ou nos negócios. Ignorar esses detalhes pode parecer confortável no presente, mas quando os problemas surgem, as consequências são graves.

Muitas pessoas acham que conversar sobre planejamento – como discutir questões patrimoniais – é desconfortável ou até um sinal de desconfiança. Na verdade, ele é o contrário disso: é uma demonstração de que você valoriza tanto a relação que deseja protegê-la. Planejar demonstra cuidado e respeito pelos laços construídos. É uma forma de proteger o que foi construído com carinho, para que um momento de dificuldade não coloque tudo a perder.

Pense, por exemplo, em um sócio que não se preocupa em organizar sua sucessão. Sem um planejamento claro, seus herdeiros podem enfrentar disputas do patrimônio, que levam anos no Judiciário, afetando não só a estabilidade da empresa, mas também as relações familiares. Da mesma forma, casais que optam por ignorar escolhas importantes, como o regime de casamento, frequentemente acabam enfrentando conflitos desgastantes no futuro, seja em divórcios ou em partilhas de bens.

Minha avó acreditava que o melhor momento para cuidar dos detalhes era agora, enquanto ainda dava tempo de fazer as escolhas certas. De fato, antecipar problemas e resolvê-los antes que causem danos é uma forma eficaz de preservar tanto vínculos quanto patrimônio.

Tecendo o futuro com equilíbrio e cuidado

Se tem algo que minha avó me ensinou é que o cuidado exige paciência, atenção e, acima de tudo, intenção. Tudo o que ela fazia – desde seus bordados meticulosos até as decisões que tomava na vida – era feito com um pensamento voltado ao futuro. E ela sabia que, quanto mais cuidado se coloca nos pequenos detalhes, mais bonito e forte é o resultado final.

Quando trazemos essa sabedoria para nossas decisões, percebemos o impacto que um planejamento consciente pode ter nas famílias e nos negócios. Escolher o regime de casamento adequado, definir cláusulas patrimoniais claras e pensar no impacto das nossas ações é como cuidar de um tecido precioso. Cada escolha que fazemos se soma às outras, criando uma trama que sustenta nossas histórias e protege nossos sonhos.

Conclusão

O legado da minha avó vai muito além das linhas que ela bordava ou das histórias que contava. Sua visão de mundo, ancorada em cuidado, paciência e atenção aos detalhes, me guia até hoje, tanto na vida pessoal quanto profissional. Assim como ela fazia questão de cuidar de cada ponto na linha do bordado, cabe a nós garantir que nossas escolhas sejam feitas com carinho e responsabilidade.

Planejar é um ato de amor – consigo mesmo, com quem você ama e com o que você construiu. Sua vida, sua família e seus negócios merecem esse cuidado. Porque, como dizia minha avó, pontos bem feitos hoje são o que criam um tecido forte e bonito para o futuro. Que tal começar a costurar o seu?

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Quando penso sobre o Dia dos Namorados, é inevitável lembrar dos conselhos da minha avó Alice, sempre tão à frente do seu tempo. Ela me ensinou, ainda na adolescência, que um namoro precisa ser construído com respeito, admiração, parceria e incentivo mútuo. Destacava que a valorização do outro era fundamental e que o namoro só faz sentido quando ambos se ajudam a crescer, se respeitam em sua individualidade e celebram juntos suas conquistas e superações. Gostava dos detalhes: sugeria até prestar atenção aos traços de caráter, à postura diante dos desafios e à disposição para apoiar sonhos. Entre tantas recomendações, ela ainda sugeria, com bom humor, que o namorado fosse mais alto do que eu.

Acredito, inclusive, que já contei em outra oportunidade como tenho certeza de que minha avó, mesmo depois de partir, teve um papel decisivo ao unir as histórias minha e do André. O elo entre nossas famílias sempre foi muito forte, permeado por pequenas coincidências que, hoje vejo, parecem ter sido cuidadosamente costuradas por ela. E foi assim, em 2001, no casamento do nosso primo Fábio, que nos conhecemos — um encontro que transformaria o curso das nossas vidas e, desde então, já são 24 anos juntos, entre namoro e casamento.

Com o tempo, construímos uma relação sólida, baseada justamente nesses valores que minha avó tanto defendia. Parceria, respeito, incentivo e carinho nunca podem faltar. No casamento civil, na bênção das nossas alianças pelo Papa Bento XVI, no nascimento do nosso filho Vítor e na recente decisão de oficializar nossa união também na Igreja, sempre percebi que o afeto verdadeiro se sustenta quando está amparado por cuidado e responsabilidade. E não é que, no fim das contas, o André, além de parceiro em tudo, é sim alguns centímetros mais alto do que eu? 

É por essa razão — e também pelo olhar profissional de advogada de Família — que faço questão de trazer à tona um tema de extrema importância, embora pouco romântico à primeira vista: o contrato de namoro. Sei que muita gente torce o nariz para essa ideia, imaginando que ela retira a leveza do relacionamento. Mas vale a pena refletir: se proteger o que amamos é um ato de cuidado, por que não reservar esse mesmo zelo à relação que estamos construindo?

O contrato de namoro é um instrumento preventivo, uma forma inteligente de evitar confusões futuras e preservar não só questões patrimoniais, como também o que é mais valioso: o sentimento. Ele permite que os parceiros deixem claro que a intenção é namorar, não constituir uma união estável. Pode, ainda, definir ajustes sobre despesas, bens em comum, animais de estimação, presentes e até questões de confidencialidade. Muito além da formalidade, representa respeito mútuo, segurança e transparência.

Mesmo entrelaçando aspectos afetivos e jurídicos, a mensagem é uma só: construir um relacionamento saudável passa, também, por conversar sobre limites, expectativas e proteção. Quem planeja o futuro com maturidade cuida do presente com mais liberdade — e evita surpresas desagradáveis no caminho.

Neste Dia dos Namorados, desejo que você celebre o amor, mas que também pense em como protegê-lo. Amar é, também, cuidar do cenário em que esse sentimento cresce. 

Gostaria de saber mais sobre o contrato de namoro? Deixe suas dúvidas ou opiniões nos comentários. Proteger o afeto é uma forma de valorizar ainda mais a história que você está construindo.

Feliz Dia dos Namorados!

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CONEXÕES SEGURAS: CARTAS DO PASSADO, LIÇÕES PARA O DIGITAL https://liliangaspar.com.br/2025/05/28/conexoes-seguras-cartas-do-passado-licoes-para-o-digital/ https://liliangaspar.com.br/2025/05/28/conexoes-seguras-cartas-do-passado-licoes-para-o-digital/#respond Wed, 28 May 2025 08:00:00 +0000 https://liliangaspar.com.br/?p=2012 Minha avó, Alice, era uma entusiasta das cartas. Em tempos em que as palavras precisavam viajar fisicamente, ela encontrava segurança e charme nesse processo. Cada carta para seu irmão, que morava em Porto Alegre, era cuidadosamente escrita, como se costurasse sentimentos em papel. Suas cartas de aniversário para mim também eram verdadeiras obras de arte, cheias de versos das poesias que adorava e de conselhos que ainda trago comigo. Escrever cartas, no entanto, virou coisa do passado. Mas de um passado não tão distante assim. A comunicação mudou rapidamente e, atualmente, vivemos na era das redes sociais e mensagens instantâneas. E essa nova forma de comunicação também já é adotada por crianças e adolescentes, que cada vez mais cedo têm acesso ao mundo digital. Hoje, a preocupação dos pais e da sociedade como um todo gira em torno dos riscos digitais, que incluem desde a exposição a conteúdos impróprios até questões de privacidade e segurança. No último “Família em Foco”, eu e a psicóloga Renata Leão Moreira debatemos exatamente esse assunto: como proteger nossas crianças nesse ambiente vasto e frequentemente imprevisível? Esse é um desafio constante, pois com apenas um clique, pequenos deslizes podem ter grandes consequências. Apesar disso, enquanto navegamos por essa nova realidade, as lições do passado ainda oferecem uma visão prática sobre como manter relações seguras e autênticas. O modo seguro e deliberado de comunicação “do passado” preservava a intimidade e a autenticidade, algo que muitas vezes perdemos na comunicação digital. Ao lembrar sobre a forma como minha avó se comunicava, fica evidente a necessidade de resgatarmos certos hábitos em nossas famílias. Precisamos cultivar, em nossos lares, um espaço de comunicação seguro e intencional para as crianças e adolescentes de hoje. Incentivando a escrita de diários ou cartas, por exemplo, podemos oferecer uma alternativa divertida, permitindo que eles expressem suas emoções sem o temor de exposição indevida. Promover atividades que combinem o digital com o tradicional também pode ser bastante válido. Que tal as pessoas de uma mesma família escrever cartas umas para as outras e depois conversar sobre isso em videoconferências? Além disso, é fundamental ensinar os jovens a discernir o conteúdo que consomem e compartilham online. Isso pode ser feito através de conversas regulares sobre segurança digital e incentivando um ambiente onde eles se sintam confortáveis para compartilhar suas dúvidas e preocupações. Enquanto o mundo muda, os valores fundamentais da comunicação — intimidade, autenticidade e segurança — continuam tão relevantes quanto eram na época da minha avó Alice. Ao integrar essas lições ao nosso cotidiano digital, podemos não apenas proteger nossas crianças, mas também garantir que a simplicidade e a beleza da comunicação sincera não se percam. O desafio está em encontrar o equilíbrio entre o passado e o presente, buscando, sempre, uma comunicação genuína e segura.

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Minha avó, Alice, era uma entusiasta das cartas. Em tempos em que as palavras precisavam viajar fisicamente, ela encontrava segurança e charme nesse processo. Cada carta para seu irmão, que morava em Porto Alegre, era cuidadosamente escrita, como se costurasse sentimentos em papel. Suas cartas de aniversário para mim também eram verdadeiras obras de arte, cheias de versos das poesias que adorava e de conselhos que ainda trago comigo.

Escrever cartas, no entanto, virou coisa do passado. Mas de um passado não tão distante assim. A comunicação mudou rapidamente e, atualmente, vivemos na era das redes sociais e mensagens instantâneas. E essa nova forma de comunicação também já é adotada por crianças e adolescentes, que cada vez mais cedo têm acesso ao mundo digital. Hoje, a preocupação dos pais e da sociedade como um todo gira em torno dos riscos digitais, que incluem desde a exposição a conteúdos impróprios até questões de privacidade e segurança. No último “Família em Foco”, eu e a psicóloga Renata Leão Moreira debatemos exatamente esse assunto: como proteger nossas crianças nesse ambiente vasto e frequentemente imprevisível? Esse é um desafio constante, pois com apenas um clique, pequenos deslizes podem ter grandes consequências.

Apesar disso, enquanto navegamos por essa nova realidade, as lições do passado ainda oferecem uma visão prática sobre como manter relações seguras e autênticas. O modo seguro e deliberado de comunicação “do passado” preservava a intimidade e a autenticidade, algo que muitas vezes perdemos na comunicação digital.

Ao lembrar sobre a forma como minha avó se comunicava, fica evidente a necessidade de resgatarmos certos hábitos em nossas famílias. Precisamos cultivar, em nossos lares, um espaço de comunicação seguro e intencional para as crianças e adolescentes de hoje. Incentivando a escrita de diários ou cartas, por exemplo, podemos oferecer uma alternativa divertida, permitindo que eles expressem suas emoções sem o temor de exposição indevida. Promover atividades que combinem o digital com o tradicional também pode ser bastante válido. Que tal as pessoas de uma mesma família escrever cartas umas para as outras e depois conversar sobre isso em videoconferências?

Além disso, é fundamental ensinar os jovens a discernir o conteúdo que consomem e compartilham online. Isso pode ser feito através de conversas regulares sobre segurança digital e incentivando um ambiente onde eles se sintam confortáveis para compartilhar suas dúvidas e preocupações.

Enquanto o mundo muda, os valores fundamentais da comunicação — intimidade, autenticidade e segurança — continuam tão relevantes quanto eram na época da minha avó Alice. Ao integrar essas lições ao nosso cotidiano digital, podemos não apenas proteger nossas crianças, mas também garantir que a simplicidade e a beleza da comunicação sincera não se percam. O desafio está em encontrar o equilíbrio entre o passado e o presente, buscando, sempre, uma comunicação genuína e segura.

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CONSELHOS DA BISA ALICE https://liliangaspar.com.br/2025/05/14/conselhos-da-bisa-alice/ https://liliangaspar.com.br/2025/05/14/conselhos-da-bisa-alice/#comments Wed, 14 May 2025 14:48:48 +0000 https://liliangaspar.com.br/?p=2005 Hoje o dia é duplamente feliz para mim: o Vítor está completando 10 anos e é dia de Alice em Versos! Viva!!! Ao pensar sobre como poderia abordar o aniversário dele no Alice em Versos, não demorou para que eu recordasse sobre os meus próprios aniversários durante a minha infância. Lembrei que minha avó tinha o costume de escrever cartas para mim nessas datas especiais. Cada uma delas era única, cheia de carinho e palavras que ficaram gravadas no meu coração. O que também as fazia tão incríveis e especiais eram os conselhos genuínos que, por meio delas, minha avó compartilhava comigo ao longo dos anos. Como já mencionei em outras oportunidades, minha avó sempre incentivou a leitura, tanto para lazer, quanto para nos mantermos informados. Educação e estudo, para ela, eram inegociáveis. Dizia que era fundamental para nos tornarmos bons profissionais e boas pessoas. Sempre aconselhava a prática de atividade física por questão de saúde, embora, neste quesito, ela própria não tenha sido um exemplo. Também, sempre aconselhou que pensássemos no futuro. Ela que me ensinou a rezar e sempre dizia que a palavra de Deus é o nosso maior guia. Se minha avó pudesse escrever para o Vítor hoje, tenho certeza de que sua mensagem seria cheia de amor e incentivo. Imagino algo como: “Querido Vítor, É com muita alegria que escrevo para você neste dia tão especial. Quero compartilhar algumas lições da vida, que guardo com carinho. Primeiro, tenha os livros como seus companheiros de jornada, sempre prontos para te levar a aventuras emocionantes e ensinar sobre o mundo e a vida. Aproveite cada momento de aprendizado. Estudar não é apenas uma obrigação; é uma oportunidade de crescer e de se preparar para os desafios e maravilhas que estão por vir. Cuide do seu corpo com carinho. Ele é o seu parceiro em todas as aventuras e precisa estar forte e saudável. Nunca pare de sonhar. Seus sonhos são as sementes do seu futuro. Cultive-os com amor e eles se tornarão realidades maravilhosas. E acima de tudo, permita que a palavra de Deus guie sempre seus passos e que a sua luz brilhe diante dos homens. Com todo o meu amor, sua bisavó Alice.” Ao ver o Vítor crescer, sinto que as palavras da minha avó continuam a nos guiar. Que essas lições sejam uma fonte de inspiração e força para ele, hoje e sempre. Feliz aniversário, Vítor! Que sua vida seja repleta de saúde, amor, sonhos e descobertas incríveis.

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Hoje o dia é duplamente feliz para mim: o Vítor está completando 10 anos e é dia de Alice em Versos! Viva!!!

Ao pensar sobre como poderia abordar o aniversário dele no Alice em Versos, não demorou para que eu recordasse sobre os meus próprios aniversários durante a minha infância. Lembrei que minha avó tinha o costume de escrever cartas para mim nessas datas especiais. Cada uma delas era única, cheia de carinho e palavras que ficaram gravadas no meu coração.

O que também as fazia tão incríveis e especiais eram os conselhos genuínos que, por meio delas, minha avó compartilhava comigo ao longo dos anos.

Como já mencionei em outras oportunidades, minha avó sempre incentivou a leitura, tanto para lazer, quanto para nos mantermos informados. Educação e estudo, para ela, eram inegociáveis. Dizia que era fundamental para nos tornarmos bons profissionais e boas pessoas. Sempre aconselhava a prática de atividade física por questão de saúde, embora, neste quesito, ela própria não tenha sido um exemplo. Também, sempre aconselhou que pensássemos no futuro. Ela que me ensinou a rezar e sempre dizia que a palavra de Deus é o nosso maior guia.

Se minha avó pudesse escrever para o Vítor hoje, tenho certeza de que sua mensagem seria cheia de amor e incentivo. Imagino algo como:

“Querido Vítor,

É com muita alegria que escrevo para você neste dia tão especial. Quero compartilhar algumas lições da vida, que guardo com carinho.

Primeiro, tenha os livros como seus companheiros de jornada, sempre prontos para te levar a aventuras emocionantes e ensinar sobre o mundo e a vida.

Aproveite cada momento de aprendizado. Estudar não é apenas uma obrigação; é uma oportunidade de crescer e de se preparar para os desafios e maravilhas que estão por vir.

Cuide do seu corpo com carinho. Ele é o seu parceiro em todas as aventuras e precisa estar forte e saudável.

Nunca pare de sonhar. Seus sonhos são as sementes do seu futuro. Cultive-os com amor e eles se tornarão realidades maravilhosas.

E acima de tudo, permita que a palavra de Deus guie sempre seus passos e que a sua luz brilhe diante dos homens.

Com todo o meu amor, sua bisavó Alice.”

Ao ver o Vítor crescer, sinto que as palavras da minha avó continuam a nos guiar. Que essas lições sejam uma fonte de inspiração e força para ele, hoje e sempre.

Feliz aniversário, Vítor! Que sua vida seja repleta de saúde, amor, sonhos e descobertas incríveis.

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SILÊNCIO NA SEXTA-FEIRA SANTA: UMA LIÇÃO DE RECONEXÃO EM FAMÍLIA https://liliangaspar.com.br/2025/04/16/silencio-na-sexta-feira-santa-uma-licao-de-reconexao-em-familia/ https://liliangaspar.com.br/2025/04/16/silencio-na-sexta-feira-santa-uma-licao-de-reconexao-em-familia/#respond Wed, 16 Apr 2025 08:00:00 +0000 https://liliangaspar.com.br/?p=1986 A Sexta-feira Santa é um dia especial no calendário cristão. É o dia em que se recorda a crucificação e morte de Jesus: um momento de grande dor, mas também de esperança, amor e entrega. Em várias famílias, esse dia tem costumes próprios: alguns não comem carne vermelha, outros participam de missas. Lá em casa, por influência da minha avó, a tradição era ainda mais marcante. Minha avó sempre fazia questão de explicar que, na Sexta-feira Santa, não era dia de fazer barulho. Então, nada de ouvir música, nada de televisão ligada. O dia era dedicado ao recolhimento – além, é claro, ao preparo de um delicioso bacalhau, símbolo dessa data em muitos lares. Quando criança, confesso que achava essa tradição um pouco difícil de entender. O costume de silenciar aparelhos e não ter distrações no fundo fazia a casa ganhar outro tom – mais calma, mais voltada para o convívio entre nós. Ela dizia: “Hoje é dia de reflexão”. Era nesse clima silencioso que pegávamos livros e nos reuníamos em família para momentos de conversa e para relembrar histórias do passado. Como você sabe, minha avó sempre gostou de bordar — passava horas escolhendo linhas, compondo flores, inventando desenhos em sua máquina de costura. Hoje, quando lembro desses momentos de Sexta-feira Santa, penso que ela costurava memórias também: cada ponto, uma história contada na mesa, uma lembrança, uma tradição para durar gerações. Era tudo muito natural, sem grandes discursos – simplesmente vivíamos juntos aqueles momentos. Hoje, olhando para a realidade das famílias, vejo como esse exemplo ficou ainda mais relevante. Vivemos em um mundo digital que ocupa cada vez mais espaço em nossa rotina. As telas estão presentes o tempo todo: na palma das mãos, nas conversas, nas refeições e até nos poucos momentos de descanso. Ao mesmo tempo em que a tecnologia aproxima quem está longe, também afasta quem está perto. É comum ver famílias reunidas fisicamente, mas cada um isolado no próprio celular – os pais no WhatsApp, os filhos no TikTok ou em jogos online. O contato verdadeiro, o olho no olho, vai ficando cada vez mais raro. Esse distanciamento causado pelo digital prejudica tanto a convivência familiar quanto a saúde mental. O excesso de tempo on-line pode aumentar a sensação de solidão, ansiedade e diminuir o interesse pelo diálogo, pelo compartilhamento de momentos simples e verdadeiros. Recursos que deveriam servir para juntar, aos poucos vão criando muros invisíveis dentro de casa. Por isso tudo, acredito que a Sexta-feira Santa pode ser uma ótima oportunidade para repensar nossos hábitos. Inspirados pelo exemplo da minha avó, que já promovia o recolhimento e a reflexão mesmo antes dessa avalanche de tecnologia, podemos aproveitar este dia para um convite especial: deixar os celulares, tablets e TVs de lado e viver momentos reais em família. Que tal propor um dia de desconexão digital, de silêncio e contato verdadeiro? Uma ocasião para conversar, ler, cuidar um do outro, trabalhar juntos em alguma atividade manual ou até aprender algo novo. Valorizar esse tempo de qualidade pode ser um respiro necessário nos dias de hoje – um tempo para nutrir laços, resgatar histórias e criar memórias que nenhuma tela pode preservar. Esse é o convite: inspire-se nesse momento de pausa para reconectar com quem você ama. Afinal, o sentido maior da data está em refletir, cuidar da espiritualidade e fortalecer a família. Você já passou uma Sexta-feira Santa totalmente desconectado? Compartilhe sua experiência sobre essa data nos comentários!

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A Sexta-feira Santa é um dia especial no calendário cristão. É o dia em que se recorda a crucificação e morte de Jesus: um momento de grande dor, mas também de esperança, amor e entrega. Em várias famílias, esse dia tem costumes próprios: alguns não comem carne vermelha, outros participam de missas. Lá em casa, por influência da minha avó, a tradição era ainda mais marcante.

Minha avó sempre fazia questão de explicar que, na Sexta-feira Santa, não era dia de fazer barulho. Então, nada de ouvir música, nada de televisão ligada. O dia era dedicado ao recolhimento – além, é claro, ao preparo de um delicioso bacalhau, símbolo dessa data em muitos lares.

Quando criança, confesso que achava essa tradição um pouco difícil de entender. O costume de silenciar aparelhos e não ter distrações no fundo fazia a casa ganhar outro tom – mais calma, mais voltada para o convívio entre nós. Ela dizia: “Hoje é dia de reflexão”. Era nesse clima silencioso que pegávamos livros e nos reuníamos em família para momentos de conversa e para relembrar histórias do passado.

Como você sabe, minha avó sempre gostou de bordar — passava horas escolhendo linhas, compondo flores, inventando desenhos em sua máquina de costura. Hoje, quando lembro desses momentos de Sexta-feira Santa, penso que ela costurava memórias também: cada ponto, uma história contada na mesa, uma lembrança, uma tradição para durar gerações. Era tudo muito natural, sem grandes discursos – simplesmente vivíamos juntos aqueles momentos.

Hoje, olhando para a realidade das famílias, vejo como esse exemplo ficou ainda mais relevante. Vivemos em um mundo digital que ocupa cada vez mais espaço em nossa rotina. As telas estão presentes o tempo todo: na palma das mãos, nas conversas, nas refeições e até nos poucos momentos de descanso. Ao mesmo tempo em que a tecnologia aproxima quem está longe, também afasta quem está perto. É comum ver famílias reunidas fisicamente, mas cada um isolado no próprio celular – os pais no WhatsApp, os filhos no TikTok ou em jogos online. O contato verdadeiro, o olho no olho, vai ficando cada vez mais raro.

Esse distanciamento causado pelo digital prejudica tanto a convivência familiar quanto a saúde mental. O excesso de tempo on-line pode aumentar a sensação de solidão, ansiedade e diminuir o interesse pelo diálogo, pelo compartilhamento de momentos simples e verdadeiros. Recursos que deveriam servir para juntar, aos poucos vão criando muros invisíveis dentro de casa.

Por isso tudo, acredito que a Sexta-feira Santa pode ser uma ótima oportunidade para repensar nossos hábitos. Inspirados pelo exemplo da minha avó, que já promovia o recolhimento e a reflexão mesmo antes dessa avalanche de tecnologia, podemos aproveitar este dia para um convite especial: deixar os celulares, tablets e TVs de lado e viver momentos reais em família. Que tal propor um dia de desconexão digital, de silêncio e contato verdadeiro? Uma ocasião para conversar, ler, cuidar um do outro, trabalhar juntos em alguma atividade manual ou até aprender algo novo.

Valorizar esse tempo de qualidade pode ser um respiro necessário nos dias de hoje – um tempo para nutrir laços, resgatar histórias e criar memórias que nenhuma tela pode preservar.

Esse é o convite: inspire-se nesse momento de pausa para reconectar com quem você ama. Afinal, o sentido maior da data está em refletir, cuidar da espiritualidade e fortalecer a família.

Você já passou uma Sexta-feira Santa totalmente desconectado? Compartilhe sua experiência sobre essa data nos comentários!

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O DIA EM QUE ALICE UNIU CORAÇÕES https://liliangaspar.com.br/2025/03/19/o-dia-em-que-alice-uniu-coracoes/ https://liliangaspar.com.br/2025/03/19/o-dia-em-que-alice-uniu-coracoes/#comments Wed, 19 Mar 2025 07:00:00 +0000 https://liliangaspar.com.br/?p=1972 O Alice em Versos de hoje é especial, porque quero compartilhar um capítulo extraordinário da minha vida, que entrelaça amor, fé e a memória da minha avó Alice. No último sábado, dia 15 de março de 2025, vivi um dia que ficará marcado para sempre não só no meu coração, mas também no de toda a minha família. Depois de 13 anos casados no civil e com o nosso amado filho Vítor, de 9 anos, eu e o André, meu grande amor e parceiro de vida, decidimos legitimar nosso matrimônio na Igreja. Essa decisão foi carregada de emoção e revelou-se ainda mais mágica do que eu poderia imaginar. Sentimos que era hora de celebrar nosso amor de maneira mais solene, aos olhos de Deus e cercados pela nossa família e amigos. Agora, você pode se perguntar: o que tem a ver minha querida avó Alice com essa história? Absolutamente tudo! Nossa história de amor é entrelaçada por aqueles laços que minha avó, com seu amor incondicional, ajudou a tecer muito antes que eu sequer pudesse imaginar. Minha história com o André tem raízes profundas, nutrida não só pelo amor que sentimos um pelo outro, mas também por laços familiares. Minha avó Alice tinha uma proximidade especial com a família do André, pois um dos seus sobrinhos era casado com a tia da minha sogra (Silvana). As visitas constantes entre essas famílias fizeram com que histórias se misturassem, criando um elo invisível que parecia já nos unir antes mesmo de nos conhecermos. Quando eu tinha meus 12 ou 13 anos, minha avó, sempre adiantada para o seu tempo, costumava brincar que um dia eu deveria conhecer o “filho da Silvana”, que tinha mais ou menos a minha idade. Eu era curiosa, mas aquilo parecia um sonho distante. O destino, porém, sempre tem seus próprios planos. Foi no casamento do nosso primo em comum, Fábio, em 2001, quando eu tinha 19 anos, que nossas vidas se cruzaram. A família dele e a minha foram convidadas, e eu e o André fomos apresentados por nossos próprios pais. Nesse momento, minha avó já havia falecido há cinco anos, mas sinto que ela, mesmo de longe, utilizava aqueles que amava para nos unir. Desde então, eu e o André nunca mais nos desgrudamos – entre namoro e casamento já se vão 24 anos! Com o tempo, nosso amor floresceu e decidimos casar no civil em 5 de agosto de 2011, um ano especialmente marcante em que também tivemos a oportunidade de viajar para Roma com meus pais. Durante a viagem, que ocorreu em março daquele ano, tivemos o privilégio de assistir a uma audiência com o Papa Bento XVI, no Vaticano. Como sabíamos que iríamos participar dessa audiência, levamos nossas alianças, que foram lindamente abençoadas pelo Papa. Sob a grandiosidade da Basílica de São Pedro sentimos a nossa união ser confirmada aos olhos de Deus e, por isso, optamos por casar apenas no civil naquela época. Agora, quando decidimos casar na Igreja, escolhemos março em homenagem ao mês em que tudo isso aconteceu. Os anos passaram e o Vítor chegou para iluminar nossas vidas. Com ele, veio também uma nova perspectiva. Foi ele, na realidade, quem nos motivou a buscar o sacramento do matrimônio na Igreja. Quando ele começou a catequese, nossa rotina se ajustou para incluir as missas dominicais. E a ideia de casar na Igreja passou a ressoar forte em nossos corações. Sentíamos que era a hora certa de dar esse passo, não para realizar um sonho antigo, mas para uma expressão genuína de fé e gratidão pelas bênçãos recebidas. Tenho certeza, no fundo do meu coração, que minha avó Alice também teve seu toque especial nessa decisão. A ideia de casar no religioso floresceu como um chamado inevitável, não apenas para nós, mas como uma forma de envolver toda a família nesta comunhão. O dia do casamento foi um verdadeiro conto de fadas, não pelos adornos, mas pela profundidade do sacramento. Vestida de noiva, não por sonho, mas por amor, senti que cada passo era um hino de gratidão a todas as bênçãos recebidas. A cerimônia foi abençoada. Eu, que nunca sonhei em me vestir de noiva, encontrei naquele momento uma verdade profunda. A homilia tocante do padre Marcos Adriano e a energia contagiante dos amigos e familiares criaram uma atmosfera de pura felicidade e emoção. Nunca imaginei viver um momento tão especial, no qual a fé e o amor se entrelaçassem de maneira tão profunda e verdadeira. Foi simplesmente mágico, como eu sei que minha avó teria desejado. Durante a cerimônia, meu coração transbordou de orgulho pelo papel especial que o Vítor desempenhou. Ele não só foi a razão para que decidíssemos obter o sacramento do matrimônio, mas também brilhou durante a cerimônia: conduziu-me juntamente com André ao altar, leu magnificamente um trecho da Bíblia, entrou segurando as alianças e, ao final, nos guiou para fora da Igreja ao encontro de nossos pais e padrinhos que, emocionados, nos aplaudiram. A emoção nos rostos dos nossos familiares, dos convidados e até do padre Marcos era evidente, tornando tudo ainda mais especial. Foi um verdadeiro privilégio ter nosso filho participando de maneira tão intensa e significativa na nossa cerimônia, mostrando que, de fato, o momento certo para casar na Igreja era agora. Para o Vítor, será especial poder contar para as futuras gerações que participou do casamento de seus próprios pais — um evento raro e especial, tal como um eclipse lunar. E assim, sob a luz de um sábado abençoado, celebramos nosso amor perante Deus, nossa família e nossos amigos, completando o ciclo iniciado anos atrás pela sabedoria silenciosa da minha avó. Esse relato é um tributo não apenas ao amor que construímos, mas à memória eterna da minha avó, que sempre fez parte da nossa história. Que essa edição do “Alice em Versos” seja não apenas uma homenagem a ela, mas que também sirva de inspiração, como um lembrete de que o amor e a fé são os guias mais

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O Alice em Versos de hoje é especial, porque quero compartilhar um capítulo extraordinário da minha vida, que entrelaça amor, fé e a memória da minha avó Alice.

No último sábado, dia 15 de março de 2025, vivi um dia que ficará marcado para sempre não só no meu coração, mas também no de toda a minha família. Depois de 13 anos casados no civil e com o nosso amado filho Vítor, de 9 anos, eu e o André, meu grande amor e parceiro de vida, decidimos legitimar nosso matrimônio na Igreja. Essa decisão foi carregada de emoção e revelou-se ainda mais mágica do que eu poderia imaginar. Sentimos que era hora de celebrar nosso amor de maneira mais solene, aos olhos de Deus e cercados pela nossa família e amigos.

Agora, você pode se perguntar: o que tem a ver minha querida avó Alice com essa história? Absolutamente tudo! Nossa história de amor é entrelaçada por aqueles laços que minha avó, com seu amor incondicional, ajudou a tecer muito antes que eu sequer pudesse imaginar.

Minha história com o André tem raízes profundas, nutrida não só pelo amor que sentimos um pelo outro, mas também por laços familiares. Minha avó Alice tinha uma proximidade especial com a família do André, pois um dos seus sobrinhos era casado com a tia da minha sogra (Silvana). As visitas constantes entre essas famílias fizeram com que histórias se misturassem, criando um elo invisível que parecia já nos unir antes mesmo de nos conhecermos.

Quando eu tinha meus 12 ou 13 anos, minha avó, sempre adiantada para o seu tempo, costumava brincar que um dia eu deveria conhecer o “filho da Silvana”, que tinha mais ou menos a minha idade. Eu era curiosa, mas aquilo parecia um sonho distante. O destino, porém, sempre tem seus próprios planos. Foi no casamento do nosso primo em comum, Fábio, em 2001, quando eu tinha 19 anos, que nossas vidas se cruzaram. A família dele e a minha foram convidadas, e eu e o André fomos apresentados por nossos próprios pais. Nesse momento, minha avó já havia falecido há cinco anos, mas sinto que ela, mesmo de longe, utilizava aqueles que amava para nos unir. Desde então, eu e o André nunca mais nos desgrudamos – entre namoro e casamento já se vão 24 anos!

Com o tempo, nosso amor floresceu e decidimos casar no civil em 5 de agosto de 2011, um ano especialmente marcante em que também tivemos a oportunidade de viajar para Roma com meus pais. Durante a viagem, que ocorreu em março daquele ano, tivemos o privilégio de assistir a uma audiência com o Papa Bento XVI, no Vaticano.

Como sabíamos que iríamos participar dessa audiência, levamos nossas alianças, que foram lindamente abençoadas pelo Papa. Sob a grandiosidade da Basílica de São Pedro sentimos a nossa união ser confirmada aos olhos de Deus e, por isso, optamos por casar apenas no civil naquela época. Agora, quando decidimos casar na Igreja, escolhemos março em homenagem ao mês em que tudo isso aconteceu.

Os anos passaram e o Vítor chegou para iluminar nossas vidas. Com ele, veio também uma nova perspectiva. Foi ele, na realidade, quem nos motivou a buscar o sacramento do matrimônio na Igreja. Quando ele começou a catequese, nossa rotina se ajustou para incluir as missas dominicais. E a ideia de casar na Igreja passou a ressoar forte em nossos corações. Sentíamos que era a hora certa de dar esse passo, não para realizar um sonho antigo, mas para uma expressão genuína de fé e gratidão pelas bênçãos recebidas. Tenho certeza, no fundo do meu coração, que minha avó Alice também teve seu toque especial nessa decisão.

A ideia de casar no religioso floresceu como um chamado inevitável, não apenas para nós, mas como uma forma de envolver toda a família nesta comunhão. O dia do casamento foi um verdadeiro conto de fadas, não pelos adornos, mas pela profundidade do sacramento. Vestida de noiva, não por sonho, mas por amor, senti que cada passo era um hino de gratidão a todas as bênçãos recebidas.

A cerimônia foi abençoada. Eu, que nunca sonhei em me vestir de noiva, encontrei naquele momento uma verdade profunda. A homilia tocante do padre Marcos Adriano e a energia contagiante dos amigos e familiares criaram uma atmosfera de pura felicidade e emoção. Nunca imaginei viver um momento tão especial, no qual a fé e o amor se entrelaçassem de maneira tão profunda e verdadeira. Foi simplesmente mágico, como eu sei que minha avó teria desejado.

Durante a cerimônia, meu coração transbordou de orgulho pelo papel especial que o Vítor desempenhou. Ele não só foi a razão para que decidíssemos obter o sacramento do matrimônio, mas também brilhou durante a cerimônia: conduziu-me juntamente com André ao altar, leu magnificamente um trecho da Bíblia, entrou segurando as alianças e, ao final, nos guiou para fora da Igreja ao encontro de nossos pais e padrinhos que, emocionados, nos aplaudiram. A emoção nos rostos dos nossos familiares, dos convidados e até do padre Marcos era evidente, tornando tudo ainda mais especial.

Foi um verdadeiro privilégio ter nosso filho participando de maneira tão intensa e significativa na nossa cerimônia, mostrando que, de fato, o momento certo para casar na Igreja era agora. Para o Vítor, será especial poder contar para as futuras gerações que participou do casamento de seus próprios pais — um evento raro e especial, tal como um eclipse lunar.

E assim, sob a luz de um sábado abençoado, celebramos nosso amor perante Deus, nossa família e nossos amigos, completando o ciclo iniciado anos atrás pela sabedoria silenciosa da minha avó.

Esse relato é um tributo não apenas ao amor que construímos, mas à memória eterna da minha avó, que sempre fez parte da nossa história. Que essa edição do “Alice em Versos” seja não apenas uma homenagem a ela, mas que também sirva de inspiração, como um lembrete de que o amor e a fé são os guias mais poderosos em nossas vidas.

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